Depois de viver quatro anos e atuar no setor imobiliário no norte de Portugal, Erika Silva voltou ao país em setembro e permanecerá durante outubro em uma agenda de reuniões e contatos com investidores e empresas interessados em conhecer o mercado de Alagoas Há alguns anos, Erika Silva estava em Portugal apresentando imóveis portugueses a compradores. Em 2026, a alagoana voltou ao país em uma posição diferente: desta vez, para falar sobre Alagoas. Natural de Maceió, Erika viveu quatro anos em Portugal e atuou no mercado imobiliário no norte do país antes de retornar ao Brasil. Hoje diretora comercial, broker e franqueada da RE/MAX Dominax, ela está novamente em território português desde setembro e permanecerá no país também durante outubro. A estadia mais longa faz parte de uma agenda de reuniões, eventos e contatos com potenciais investidores e empresas interessados em compreender melhor o mercado imobiliário alagoano. A mudança de posição acompanha um movimento mais amplo de aproximação entre Portugal e Alagoas. O estado vem ampliando sua exposição internacional por meio do turismo, enquanto empresas portuguesas já desenvolvem projetos locais e investidores daquele país aparecem também entre os estrangeiros atendidos pela própria carteira de Erika. 'É uma experiência diferente voltar a Portugal falando sobre Alagoas. Antes, eu estava inserida no mercado português e precisava entender aquele comprador e aquele produto. Hoje, uso essa experiência para explicar um mercado que conheço desde a origem e no qual atuo diretamente', afirma. Do mercado português ao alagoano A trajetória entre os dois países começou antes da atual agenda internacional. Erika nasceu em Maceió, viveu cerca de 15 anos no interior de São Paulo e depois se mudou para Portugal. Durante os quatro anos em que permaneceu no país, trabalhou no mercado imobiliário no norte português. Depois de retornar ao Brasil, tornou-se investidora e passou a operar a RE/MAX Dominax em Maceió. A experiência acumulada nos dois mercados passou a fazer parte da relação com compradores que vivem fora de Alagoas, especialmente portugueses e brasileiros residentes no exterior. Agora, a permanência por dois meses em Portugal cria uma nova etapa dessa relação. Segundo Erika, as conversas realizadas no país não se limitam à compra de unidades residenciais. Parte dos contatos envolve pessoas que ainda estão em uma fase anterior à decisão de compra e procuram compreender preços, regiões, perfil de demanda, documentação e diferenças entre os mercados. Também surgiram conversas com empresas interessadas em obter informações sobre terrenos e possibilidades de desenvolvimento em Alagoas. Essas informações se referem à agenda e à carteira da própria profissional e não representam uma estatística geral do mercado alagoano. 'Quem está do outro lado do Atlântico normalmente não conhece as diferenças entre Maceió, litoral norte, litoral sul e interior. Antes de falar em imóvel, é preciso explicar o estado, como cada região funciona e quais fatores precisam ser analisados', diz Erika. Alagoas ganha espaço no radar internacional A agenda ocorre em um momento de crescimento do fluxo internacional para Alagoas. Dados da Aena divulgados pela Secretaria Municipal de Turismo de Maceió mostram que o movimento internacional no Aeroporto Zumbi dos Palmares cresceu quase 50% em julho e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Nos dois meses, 270.311 passageiros desembarcaram no aeroporto, considerando os fluxos doméstico e internacional, alta de 7,4% frente ao mesmo período de 2025. A presença portuguesa também aparece no ambiente empresarial. Em Coruripe, no litoral sul, o grupo Vila Galé desenvolve duas novas unidades hoteleiras. Segundo informações divulgadas pela própria empresa, os projetos somam 494 quartos e investimento de aproximadamente 35 milhões de euros. Para Erika, a combinação entre turismo, novos investimentos e maior conhecimento do destino ajuda a colocar diferentes regiões do estado nas conversas com quem observa o mercado brasileiro de fora. 'Alagoas não é um mercado único. Maceió tem uma dinâmica, Maragogi e o litoral norte tém outra, o litoral sul vive outro momento e o Sertão tem características completamente diferentes. Meu papel nessas conversas é ajudar o investidor a entender essas diferenças antes de qualquer decisão', afirma. Uma ponte construída nos dois sentidos A relação profissional com Portugal passou a funcionar nos dois sentidos. Primeiro, Erika precisou compreender o mercado português para atuar no país. Depois do retorno ao Brasil, essa experiência passou a ajudá-la na comunicação com investidores portugueses interessados em conhecer Alagoas. Agora, depois de passar setembro em Portugal e com permanência prevista também durante outubro, a profissional amplia a agenda dedicada a apresentar o mercado alagoano e compreender o que investidores e empresas portugueses procuram quando avaliam oportunidades no Brasil. 'Voltar a Portugal apresentando Alagoas tem um significado profissional muito diferente para mim. Conheço o mercado português por ter trabalhado nele e conheço Alagoas porque é onde nasci e onde atuo hoje. Isso permite fazer uma tradução mais clara entre os dois lados', afirma.