Existe um custo escondido em contratar sempre a pessoa mais experiente

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Currículos impressionantes reduzem a sensação de risco na contratação, mas experiência acumulada nem sempre significa maior capacidade de aprender, adaptar-se ou crescer junto com a empresa
Duas pessoas disputam uma vaga.
Uma possui dez anos de experiência, conhece o setor e já executou aquela função em outras empresas. A outra tem menos tempo de carreira, mas demonstra facilidade para aprender, fazer perguntas e lidar com situações novas.
Quem você contrataria?
A primeira opção parece naturalmente mais segura. Só que empresas podem cometer um erro quando transformam anos de experiência no principal atalho para medir potencial.
Experiência resolve um problema importante
Quem já enfrentou determinada situação tende a precisar de menos tempo para começar.
Conhece ferramentas, reconhece problemas e possui referências para tomar decisões.
Em posições que exigem conhecimento técnico profundo, isso pode ser decisivo.
O problema aparece quando a empresa confunde experiência com capacidade universal.
Ter feito algo durante dez anos não significa necessariamente ter evoluído durante dez anos.
O candidato menos pronto pode aprender mais rápido
Algumas competências podem ser ensinadas.
Outras são mais difíceis de desenvolver rapidamente, como curiosidade, capacidade de receber feedback, raciocínio diante de problemas desconhecidos e disposição para revisar opiniões.
Por isso, entrevistas podem investigar não apenas aquilo que alguém já sabe, mas como essa pessoa reage quando ainda não sabe.
Perguntar sobre uma situação completamente nova pode revelar mais do que solicitar novamente a descrição de experiências anteriores.
Essa capacidade de investigar melhor o raciocínio de outra pessoa depende também da qualidade da conversa.
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Contratar experiência demais também pode custar caro
Um profissional muito experiente tende a exigir remuneração compatível.
Isso faz sentido quando a empresa realmente utilizará aquele repertório.
Mas contratar alguém altamente especializado para uma função relativamente simples pode significar pagar por conhecimentos que raramente serão necessários.
Existe ainda outro risco: a posição pode oferecer poucos desafios e rapidamente deixar de ser interessante para aquela pessoa.
A pergunta não deveria ser apenas “quem possui o melhor currículo?”, mas “qual profissional faz mais sentido para o problema que precisamos resolver?”
Potencial também precisa de espaço para aparecer
Contratar alguém menos experiente exige contrapartidas.
A empresa precisa oferecer orientação, feedback e oportunidades reais de desenvolvimento. Sem isso, “contratar pelo potencial” vira apenas uma maneira mais barata de preencher uma vaga.
Experiência continuará sendo um critério valioso de contratação. Ela só não precisa ser tratada como sinônimo automático de competência futura.
Em mercados que mudam rapidamente, saber aquilo que funcionou ontem importa. Conseguir aprender aquilo que será necessário amanhã pode importar ainda mais.









