Imóveis de luxo apostam em ativos irreplicáveis e mercado já movimenta R$ 52 bilhões no Brasil

Imagem gerada artificialmente
Localização escassa, arquitetura autoral, arte e bem-estar ganham peso no segmento; em Niterói, projeto da Habitare e da Mônaco ocupa o último terreno disponível na orla da Boa Viagem
O mercado imobiliário de alto padrão passa por uma mudança na forma como define exclusividade. Mais do que metragem, acabamento ou localização valorizada, novos projetos começam a concentrar esforços em atributos difíceis de reproduzir, como terrenos únicos, vistas permanentes, arquitetura autoral, integração com arte e estruturas voltadas ao bem-estar.
Os números ajudam a dimensionar esse movimento. Em 2025, os imóveis de luxo e superluxo movimentaram R$ 52,2 bilhões nas capitais brasileiras, crescimento de 35% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica. No cenário internacional, o índice PIRI 100, do The Wealth Report, da Knight Frank, registrou avanço médio de 3,2% nos preços de propriedades residenciais prime. Ao mesmo tempo, o Global Wellness Institute estima que o mercado imobiliário ligado ao bem-estar e à saúde preventiva alcançou US$ 876 bilhões e deve chegar a US$ 1,8 trilhão até 2030.
Localização passa a funcionar como ativo de escassez
Nesse cenário, terrenos com características únicas passaram a ter peso estratégico para incorporadoras que atuam no segmento de altíssimo padrão.
É nessa lógica que a Habitare, especializada em projetos de smart living e wellness, desenvolve, em parceria com a Mônaco Incorporadora, o Lazuli, empreendimento localizado no último terreno disponível na orla da Boa Viagem, na Zona Sul de Niterói, no Rio de Janeiro.
Com Valor Geral de Vendas de R$ 430 milhões, o projeto terá 112 apartamentos e entrega prevista para novembro de 2027.
A localização permite uma vista que reúne o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, a Ilha da Boa Viagem e diferentes pontos da paisagem do Rio de Janeiro, entre eles Baía de Guanabara, Pão de Açúcar, Cristo Redentor e Pedra da Gávea.
“O Lazuli é uma joia rara da engenharia e da arquitetura brasileira. Como toda grande obra, exigiu tempo, audácia e execução impecável para ser esculpida. Estamos entregando um ícone vivo na orla de Niterói, onde cada detalhe foi amadurecido para servir a um público que busca o silêncio, a arte e o bem-estar em sua essência”, afirma Roberto Coutinho, CEO da Habitare.
Arquitetura, arte e paisagismo entram na estratégia do projeto
O empreendimento reúne diferentes nomes ligados à arquitetura, design e mercado de luxo.
O projeto tem design da A+P Arquitetura e paisagismo do entorno assinado pelo Escritório Burle Marx, além de consultoria estratégica da IMA Brands.
O condomínio será formado por três torres, chamadas Orizzonte, Ciello e Mare, projetadas para dialogar com diferentes referências artísticas. Também contará com uma galeria e uma oficina de artes.
Os compradores receberão obras de arte originais junto às chaves, enquanto o apartamento decorado terá participação de Lacca e Breton, marca de mobiliário com certificação carbono zero.
Projeto abriu mão de área vendável para ampliar estrutura de bem-estar
Uma das decisões do empreendimento foi reduzir a área potencialmente comercializável para priorizar espaços voltados à experiência dos moradores.
Segundo a Habitare, o projeto deixou de construir uma torre adicional, o que representaria aproximadamente R$ 40 milhões em área útil comercializável, para criar uma piscina totalmente voltada para o oceano e com incidência solar ao longo do dia.
A obra também exigiu intervenções estruturais no terreno.
Foi realizado um corte em uma rocha com 5 metros de largura por 50 metros de comprimento na encosta, operação que levou à construção de um muro de contenção com investimento de R$ 30 milhões.
40% das unidades já foram comercializadas
Os apartamentos do Lazuli terão metragens entre 100,40 m² e 391,83 m².
Até o momento, 40% das unidades já foram vendidas, segundo a incorporadora. Entre os compradores há também investidores estrangeiros.
Para a empresa, o resultado reforça uma mudança no comportamento do público de alta renda, que passa a valorizar características que não podem ser facilmente reproduzidas em outros empreendimentos.
A combinação entre escassez geográfica, arquitetura, arte, bem-estar e soluções estruturais específicas passa, assim, a funcionar como parte do próprio valor patrimonial do imóvel.









