Investimento social nas periferias volta a ganhar espaço na estratégia das empresas

Imagem: Divulgação/Instituto Baccarelli
Apoio do Instituto Motiva ao Baccarelli mostra como recursos privados podem ampliar acesso à educação, cultura e desenvolvimento de jovens em Heliópolis
O investimento social privado vem assumindo um papel mais estratégico dentro das empresas à medida que pautas relacionadas a impacto, desenvolvimento humano e redução das desigualdades ganham espaço na agenda corporativa. Em Heliópolis, uma das maiores comunidades de São Paulo, a atuação do Baccarelli mostra como parcerias de longo prazo podem transformar recursos empresariais em projetos permanentes de educação e cultura.
A organização completa três décadas de atuação atendendo atualmente cerca de 1.650 crianças e jovens. Para sustentar e ampliar essa estrutura, o Baccarelli depende da participação contínua de patrocinadores e parceiros privados. Entre eles está o Instituto Motiva, cujo apoio conecta o investimento corporativo a iniciativas voltadas à formação, inclusão e desenvolvimento de novos talentos.
Cultura passa a integrar estratégias de impacto social
A parceria parte do entendimento de que o acesso estruturado à cultura pode contribuir para ampliar perspectivas profissionais e pessoais em territórios marcados pela vulnerabilidade social. Dentro dessa lógica, o investimento deixa de financiar apenas atividades culturais e passa a fazer parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento local.
“A cultura costuma ser a porta de entrada para que crianças e jovens ampliem seus repertórios, encontrem novas referências e passem a enxergar outros caminhos possíveis. É nesse encontro que a transformação começa”, afirma Jéssica Trevisam, gerente de Responsabilidade Social do Instituto Motiva.
Segundo a executiva, essa perspectiva orienta tanto a escolha quanto o acompanhamento dos projetos apoiados pela instituição. A prioridade está em iniciativas capazes de estabelecer vínculos duradouros com os territórios e gerar resultados para as comunidades.
“Quando chega nas comunidades, a música deixa de ser apenas uma expressão cultural e se torna uma ferramenta potente de desenvolvimento humano, inclusão e pertencimento”, destaca Jéssica.
Investimento mantém estrutura para 1.650 jovens
No Baccarelli, os recursos dos patrocinadores ajudam a sustentar uma estrutura que ultrapassa o ensino técnico de música clássica. Os cerca de 1.650 alunos encontram no projeto um espaço de convivência, proteção e desenvolvimento social, humano, cognitivo e musical.
O atendimento inclui ainda suporte e encaminhamento social em diferentes frentes. Na alimentação, por exemplo, os jovens contam com refeições diárias oferecidas pelo Restaurante Baccarelli.
Outra iniciativa mantida pela organização é sua Temporada de Concertos, responsável por levar a produção musical desenvolvida em Heliópolis para outros públicos e regiões. A atividade também contribui para a manutenção das orquestras e dos grupos de coros ligados ao projeto.
Para Edilson Ventureli, CEO do Baccarelli, garantir a continuidade desse modelo exige uma estrutura financeira capaz de acompanhar a dimensão das atividades.
“Estruturar polos de excelência em territórios de vulnerabilidade exige recursos contínuos e crescentes, provando que o investimento corporativo é fundamental para manter e expandir o impacto social na comunidade de Heliópolis. O investimento de patrocinadores como o Instituto Motiva é o grande motor que nos permite manter a excelência e planejar o futuro”, afirma.
ESG aproxima empresas do desenvolvimento dos territórios
A parceria também evidencia como os investimentos culturais podem ocupar espaço dentro das estratégias ESG das empresas. Nesse contexto, os recursos destinados a projetos sociais são associados a objetivos como geração de oportunidades, fortalecimento de comunidades e desenvolvimento das regiões nas quais as organizações estão inseridas.
Para o Instituto Motiva, a continuidade dos projetos é um componente importante dessa estratégia. Em vez de intervenções pontuais, a proposta é apoiar iniciativas capazes de estabelecer relações permanentes e acompanhar seus efeitos sobre os beneficiados.
“É uma forma direta de gerar impacto social e transformar realidades a partir da cultura”, afirma Jéssica.
A executiva avalia ainda que o terceiro setor e os projetos culturais vêm ganhando reconhecimento como parte das respostas aos desafios sociais enfrentados pelo país. “A cultura vem sendo cada vez mais reconhecida como parte da solução”, pontua.
Três décadas mostram importância de parcerias de longo prazo
A chegada do Baccarelli aos 30 anos coloca em evidência também o desafio da sustentabilidade financeira das organizações sociais. Projetos que atendem centenas ou milhares de pessoas precisam garantir recursos não apenas para executar atividades atuais, mas para preservar estruturas, equipes e capacidade de expansão.
Nesse cenário, a aproximação com empresas permite combinar investimento privado e conhecimento acumulado por organizações que já atuam diretamente nos territórios. Para o Baccarelli, essa relação é considerada fundamental para preservar o trabalho desenvolvido em Heliópolis e alcançar novos jovens.
Ao ampliar repertórios e criar espaços de formação e convivência, a música assume uma função que ultrapassa a dimensão artística. “Para muitos, a música é o primeiro passo para enxergar novas possibilidades de futuro”, afirma Jéssica.
Depois de três décadas de atuação, o trabalho desenvolvido em Heliópolis reforça uma discussão cada vez mais presente no ambiente corporativo: o impacto social de uma empresa também pode ser medido pela capacidade de estabelecer parcerias duradouras e direcionar recursos para iniciativas que criem oportunidades concretas nos territórios.









