A resposta mais profissional para “não vai dar tempo” talvez seja parar de tentar fazer tudo

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Quando o prazo aperta, trabalhar mais parece a reação óbvia. Mas existe outra saída que exige uma habilidade valiosa: decidir o que continuará sendo feito muito bem e o que deixará de entrar na entrega.
São 16h de quinta-feira.
O projeto precisa estar pronto na sexta.
Ainda faltam cinco entregas e, fazendo as contas, a equipe percebe que simplesmente não existe tempo suficiente para concluir tudo no padrão combinado.
A reação automática costuma ser conhecida: acelerar, estender o expediente e tentar encaixar todas as demandas.
Só que existe uma alternativa menos intuitiva.
Entregar menos.
Em Jogue para vencer, A.G. Lafley e Roger Martin defendem uma concepção de estratégia baseada em escolhas. Estratégia não consiste apenas em determinar o que será feito, mas também em estabelecer onde concentrar recursos e quais possibilidades ficarão deliberadamente de fora.
Cortar uma entrega também consegue ser uma decisão estratégica
Voltemos ao projeto.
Talvez cinco entregas estejam pendentes, mas apenas duas sejam indispensáveis para que o cliente consiga colocar a próxima etapa em funcionamento.
As outras três poderiam ser entregues na semana seguinte.
Nesse cenário, existem pelo menos duas alternativas.
Tentar fazer as cinco correndo e colocar a qualidade de todas em risco.
Ou proteger as duas mais importantes, negociar as demais e entregar aquilo que realmente sustenta o resultado.
A segunda opção parece fazer menos.
Na prática, ela exige entender melhor o objetivo.
Prioridade só existe quando alguma coisa perde espaço
É fácil dizer que determinado projeto é prioridade.
O teste aparece quando uma nova demanda entra.
Se tudo continua sendo executado no mesmo prazo, com os mesmos recursos e pela mesma equipe, provavelmente nenhuma escolha aconteceu.
Isso vale para empresas, mas também para profissionais.
Aceitar uma tarefa urgente deveria provocar alguma decisão sobre aquilo que já estava planejado. Caso contrário, “priorizar” vira apenas acumular responsabilidades em uma ordem diferente.
Para quem quiser aprofundar essa lógica de escolhas, o novo Administradores Premium oferece um playbook em áudio que explora conceitos importantes de Jogue para vencer e os conecta a situações em que pessoas e empresas precisam decidir onde realmente concentrar seus recursos.
Um bom “não vai dar tempo” precisa vir acompanhado de uma escolha
Reconhecer uma limitação não significa simplesmente anunciar um problema.
Uma resposta mais útil seria:
“Não conseguimos entregar as cinco frentes até amanhã com o padrão combinado. Se A e B são as mais importantes, conseguimos protegê-las e entregar C, D e E na segunda.”
A conversa muda.
Sai de “não conseguimos”.
Entra em “diante da restrição, estas são as escolhas disponíveis”.
O playbook relacionado a Jogue para vencer também integra a Biblioteca do novo Administradores Premium, junto a conteúdos editoriais sobre grandes livros, pensadores, teorias, filosofias e metodologias.
Ele apresenta algumas das ideias de Lafley e Martin e pode servir como ponto de partida para aprofundá-las posteriormente na obra original.
Profissionalismo não é prometer que tudo cabe. Em alguns dias, é saber exatamente o que precisa continuar cabendo quando já ficou evidente que tudo não cabe mais.









