Messi soube a hora de sair e deixou uma lição que muitas empresas aprendem tarde demais

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O camisa 10 encerrou uma trajetória de 21 anos pela Argentina ainda capaz de decidir partidas. Nos negócios, preparar uma sucessão antes que uma liderança se torne indispensável também é sinal de força.
Lionel Messi não precisou desaparecer do jogo para entender que um ciclo havia terminado.
Ontem, 6 de outubro, aos 39 anos, ele disputou sua última partida pela seleção argentina. E saiu fazendo exatamente aquilo que fez durante boa parte de sua trajetória: decidindo.
Na vitória por 3 a 0 sobre Benin, no Monumental de Buenos Aires, Messi participou dos três gols, com duas assistências e um gol de pênalti. Encerrou a passagem pela seleção com 208 jogos e 126 gols, depois de 21 anos vestindo a camisa argentina.
É uma despedida esportiva, mas existe nela uma questão bastante empresarial.
O melhor momento para começar uma sucessão não é quando a pessoa mais importante já não consegue entregar.
Empresas também têm seus “camisas 10”
É o fundador que conhece pessoalmente todos os principais clientes.
A executiva que concentra relacionamentos construídos durante décadas.
O diretor que participa de todas as decisões relevantes.
O especialista que domina um processo que ninguém mais entende completamente.
Enquanto essas pessoas continuam entregando resultados extraordinários, a dependência parece uma vantagem.
Até o dia em que elas saem.
A seleção argentina sabia havia anos que Messi não estaria disponível para sempre. Mesmo assim, substituir 21 anos de influência esportiva, técnica e simbólica não significa simplesmente escolher outro jogador para vestir a camisa 10.
Empresas enfrentam um desafio parecido quando confundem substituir uma pessoa com substituir aquilo que aquela pessoa sustenta.
Uma sucessão começa antes da despedida
É aqui que a trajetória de Messi produz uma imagem interessante.
Ele não encerrou seu ciclo isolado em campo. Na própria despedida, serviu Nicolás Otamendi e Nico Paz antes de marcar o último gol. Nico Paz, de 22 anos, inclusive aparece entre os jovens nomes associados ao futuro da Argentina.
Nos negócios, uma transição saudável também exige que conhecimento, autonomia e responsabilidade circulem antes da saída.
Isso significa permitir que outras pessoas conduzam reuniões importantes.
Apresentá-las aos principais relacionamentos.
Documentar decisões e processos.
Distribuir informações que estavam concentradas.
E, principalmente, criar situações nas quais os possíveis sucessores realmente decidam.
Essa discussão encontra uma conexão direta com O lado difícil das situações difíceis, de Ben Horowitz. O livro aborda os momentos menos confortáveis da gestão, incluindo decisões para as quais não existe uma fórmula pronta e os desafios de construir organizações que consigam continuar funcionando em circunstâncias difíceis.
Para quem quiser aprofundar essas reflexões, o novo Administradores Premium oferece um playbook em áudio que analisa algumas das principais lições de O lado difícil das situações difíceis e mostra como elas aparecem em decisões reais de liderança e gestão.
O sucessor não precisa ser uma cópia
Esse talvez seja o erro mais fácil de cometer.
A Argentina provavelmente não encontrará “outro Messi”.
Também não precisa.
Depois de uma liderança extraordinária, a tentação é procurar alguém com as mesmas características, o mesmo estilo e a mesma capacidade de resolver problemas.
Só que organizações mudam. Equipes mudam. O contexto competitivo muda.
Uma boa sucessão preserva aquilo que continua essencial, mas permite que a próxima geração construa outra maneira de entregar resultados.
O próprio adeus de Messi ajuda a simbolizar essa passagem. Diante de cerca de 85 mil pessoas, ele encerrou uma trajetória que inclui a Copa do Mundo de 2022 e duas Copas América. Na carta publicada depois da partida, afirmou estar convencido de que havia tomado a decisão certa.
O playbook relacionado a O lado difícil das situações difíceis também integra a Biblioteca do novo Administradores Premium, junto a conteúdos editoriais sobre grandes livros, pensadores, teorias, filosofias e metodologias. É uma introdução aplicada às experiências e ideias de Horowitz que também pode despertar o interesse pela leitura da obra original.
Messi deixou a Argentina ainda sendo Messi.
Para qualquer organização, conseguir preparar o que vem depois antes que sua principal referência deixe de entregar talvez seja uma das formas mais maduras de encerrar um ciclo.









