Livro organizado por Eduardo Shinyashiki reúne 23 autores para discutir escolhas, propósito e legado

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“Faça do possível o extraordinário” aborda carreira, saúde, relacionamentos, liderança e identidade a partir de experiências e reflexões sobre pequenas decisões do cotidiano
A distância entre a vida que uma pessoa leva e aquela que gostaria de construir nem sempre surge de uma grande decisão. Muitas vezes, ela começa em escolhas aparentemente pequenas, como adiar uma mudança, colocar permanentemente as prioridades dos outros à frente das próprias ou permanecer em uma rotina que já perdeu o sentido. É a partir dessa reflexão que surge Faça do possível o extraordinário, obra organizada por Eduardo Shinyashiki.
O livro reúne 23 autores e percorre diferentes dimensões da vida pessoal e profissional, passando por identidade, saúde, relacionamentos, liderança, dinheiro, carreira, colaboração e construção de legado. Em comum, os capítulos defendem que uma trajetória considerada extraordinária não depende necessariamente de grandes acontecimentos, mas da forma como escolhas cotidianas são feitas com consciência, intenção e responsabilidade.
O extraordinário começa nas decisões do cotidiano
Os primeiros capítulos exploram questões ligadas a pertencimento, identidade e presença.
Adriana Martins discute a relação entre os espaços que habitamos e a vida que construímos, enquanto Michele Galluf aborda o momento em que estar permanentemente disponível para os outros passa a significar deixar as próprias necessidades em segundo plano. Carol Shinyashiki, por sua vez, trata do custo de viver constantemente em modo de sobrevivência.
A relação com o presente também aparece no capítulo de Selma Amaral, que aborda o piloto automático, o excesso de estímulos e a busca por aprovação. Já Eduardo Shinyashiki discute o resgate de uma vida autêntica depois de períodos marcados pela tentativa de corresponder às expectativas externas.
Em outro capítulo, Juliana A. P. Grasso aborda a necessidade de recalcular a rota quando resultados profissionais ou pessoais deixam de conduzir à vida desejada, tratando a mudança de direção como um exercício de consciência, e não como fracasso.
Saúde, força mental e crescimento também entram na discussão
A obra amplia essa reflexão para temas ligados ao bem-estar e ao desenvolvimento pessoal.
Juarez Furtado apresenta uma visão de saúde que considera corpo, emoções, hábitos e ambiente familiar, enquanto Ju Assunção discute força mental como uma capacidade que pode ser construída por meio de clareza, organização e prática.
Aline Isaia utiliza a maratona como metáfora para desafios que exigem preparação e constância. Juliana Garcia, por outro lado, concentra sua análise no conflito vivido por mulheres que crescem profissionalmente enquanto acumulam culpa, disponibilidade permanente e exaustão.
Liderança e carreira aparecem sob a ótica da autonomia
O ambiente profissional também ocupa parte relevante do livro.
No capítulo de Creici Lamonato, a reflexão recai sobre líderes que centralizam decisões e acabam tornando suas equipes dependentes. O texto discute uma liderança voltada ao desenvolvimento de autonomia e à construção de resultados que não dependam continuamente de uma única pessoa.
Newton Guimarães Jr. aborda liderança e negociação como competências que ultrapassam cargos formais, enquanto Cesar Genehr propõe uma discussão sobre tempo e prioridades, questionando até que ponto agendas cheias refletem escolhas conscientes ou apenas uma rotina sem direção clara.
Essa discussão ganha uma dimensão empresarial no capítulo de Alberto Kastro, que analisa negócios dependentes da presença constante de seus líderes. Em um contexto marcado pela inteligência artificial, o autor aborda a importância de transformar conhecimento, decisões e responsabilidades em estruturas que permitam às organizações aprender e crescer além da atuação direta de seus fundadores.
Prosperidade, parcerias e legado completam a obra
Outros capítulos tratam de temas como escolhas financeiras, construção de relações e capacidade de compartilhar responsabilidades.
Jena Agra discute prosperidade a partir da relação entre dinheiro, prioridades e decisões, enquanto Flávia Rocha aborda a hiperindependência e o custo de acreditar que fazer tudo sozinho seja necessariamente sinal de competência.
Ao reunir perspectivas diferentes, Faça do possível o extraordinário converge para uma ideia central: trajetórias profissionais e pessoais são construídas pelas escolhas feitas ao longo do caminho. Isso envolve reconhecer quando uma rotina deixou de fazer sentido, estabelecer limites, cuidar da saúde, desenvolver pessoas, buscar ajuda e rever decisões quando necessário.
O livro encerra propondo que o extraordinário não seja entendido como uma vida sem dificuldades ou recomeços, mas como a capacidade de assumir maior protagonismo sobre aquilo que ainda pode ser transformado.









