O gestor que sempre tem uma resposta cria um problema que só aparece quando ele sai da sala

Reprodução: Unsplash
Ter experiência suficiente para resolver qualquer impasse transmite segurança. Em excesso, essa competência ensina a equipe a procurar respostas em vez de desenvolver julgamento próprio
A reunião trava.
Existem três caminhos possíveis e ninguém consegue decidir qual seguir.
O gestor escuta durante alguns minutos e resolve:
“Vamos pela opção dois.”
A discussão termina. Todos voltam ao trabalho.
Na semana seguinte, outro impasse chega até ele.
Depois outro.
Em pouco tempo, aquele líder ganha uma reputação valiosa: é a pessoa que sabe o que fazer.
Só existe um efeito colateral. Quanto mais respostas oferece, menos oportunidades sua equipe encontra para aprender a chegar até elas.
Em O lado difícil das situações difíceis, Ben Horowitz aborda a liderança a partir dos momentos em que não existe uma resposta evidente e o executivo precisa lidar com decisões difíceis, incerteza e responsabilidade.
Resolver rápido também treina um comportamento
Equipes aprendem com aquilo que acontece repetidamente.
Se toda dúvida relevante termina na mesa do gestor, levar problemas até ele começa a parecer mais seguro do que assumir riscos.
O profissional deixa de chegar dizendo:
“Analisei três alternativas e recomendo esta.”
E passa a chegar perguntando:
“O que você acha que devemos fazer?”
A diferença parece pequena. Na prática, revela dois tipos completamente diferentes de equipe.
Uma desenvolve capacidade de julgamento.
A outra desenvolve capacidade de consultar.
O líder não precisa esconder a resposta. Precisa evitar entregá-la cedo demais
Imagine que alguém apresente um problema e o gestor já saiba exatamente como resolvê-lo.
Em vez de explicar imediatamente, ele pede que a pessoa apresente uma recomendação.
Depois questiona os riscos.
Solicita alternativas.
Testa o raciocínio.
Só então compartilha sua visão.
A conversa leva mais tempo naquele momento. Em compensação, começa a transferir algo muito mais valioso do que uma instrução: o processo utilizado para chegar à decisão.
Para quem quiser aprofundar os desafios que surgem quando um gestor precisa liderar em meio à incerteza, o novo Administradores Premium oferece um playbook em áudio que analisa lições importantes de O lado difícil das situações difíceis e as aproxima de situações concretas vividas por líderes e empreendedores.
Uma equipe madura não pensa igual ao chefe
Esse também é um limite importante.
Desenvolver autonomia não significa ensinar funcionários a adivinhar qual decisão o gestor tomaria.
Se todas as análises precisam terminar exatamente na mesma conclusão do líder, a equipe continua dependente dele. Apenas aprendeu a reproduzir seu raciocínio.
O verdadeiro avanço acontece quando profissionais conhecem objetivos, limites e critérios suficientes para chegar a boas decisões por caminhos próprios, inclusive apresentando alternativas que o chefe não havia considerado.
O playbook relacionado a O lado difícil das situações difíceis também faz parte da Biblioteca do novo Administradores Premium, junto a conteúdos que exploram grandes livros, pensadores, teorias, filosofias e metodologias.
Ele apresenta algumas das reflexões de Ben Horowitz em uma abordagem prática e abre caminho para aprofundá-las posteriormente na leitura da obra original.
Um líder que resolve tudo consegue acelerar dezenas de decisões.
Um líder que ensina outras pessoas a decidir multiplica a quantidade de cérebros capazes de resolvê-las.









