A estratégia pode estar errada justamente porque sua empresa tem prioridades demais

Imagem: Reprodução/Canva
Em Jogue para vencer, A.G. Lafley e Roger Martin defendem uma ideia que contraria muitos planejamentos empresariais: estratégia não é acumular objetivos, mas fazer escolhas
Crescer 20%.
Entrar em dois novos mercados.
Lançar três produtos.
Melhorar a experiência do cliente.
Reduzir custos.
Fortalecer a marca.
Uma empresa pode colocar tudo isso no planejamento e chamar cada item de prioridade. O problema aparece quando pessoas, dinheiro e atenção precisam ser distribuídos entre todos eles.
Se tudo é estratégico, o que realmente recebe preferência quando duas prioridades entram em conflito?
Essa questão ajuda a entender uma das ideias centrais de Jogue para vencer, de A.G. Lafley e Roger Martin: estratégia exige escolhas claras sobre onde competir e como vencer.
Uma lista de metas não é necessariamente uma estratégia
Metas dizem onde a empresa gostaria de chegar.
Estratégia precisa ajudar a decidir como chegar e, principalmente, quais caminhos não serão perseguidos.
Uma empresa pode desejar crescer, por exemplo. Mas pretende competir oferecendo preços menores? Atendimento superior? Um produto especializado? Conveniência?
Cada escolha exige capacidades diferentes.
Tentar perseguir todas simultaneamente pode produzir uma organização que investe em muitas frentes, mas não constrói vantagem suficiente em nenhuma delas.
Dizer “não” também faz parte do planejamento
É aqui que estratégia começa a ficar desconfortável.
Escolher um mercado significa deixar outros de lado. Concentrar investimento em determinado produto significa retirar recursos de outro. Priorizar um público pode significar aceitar que a empresa não será a melhor opção para todos.
Por isso, um planejamento cheio de iniciativas pode transmitir ambição enquanto esconde justamente aquilo que ainda não foi decidido.
Uma pergunta simples ajuda:
Se tivéssemos metade dos recursos disponíveis, o que continuaríamos fazendo?
As respostas provavelmente revelariam quais prioridades são realmente estratégicas.
Estratégia precisa chegar às decisões pequenas
Não basta definir uma direção em uma apresentação anual.
Uma estratégia clara deveria ajudar alguém a decidir quais projetos aprovar, onde investir, quais clientes priorizar e quais oportunidades recusar.
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No fim, talvez uma empresa não precise de uma lista maior de prioridades.
Pode precisar da coragem de riscar algumas delas.
Porque uma estratégia começa a ficar realmente clara quando todos sabem não apenas o que a empresa decidiu fazer, mas também aquilo que decidiu deixar para os outros.









