5 mudanças que podem abrir novas oportunidades para empresas brasileiras na Europa

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Com novas condições para fazer negócios com a Europa, companhias precisam acompanhar regras de origem, tarifas, exigências regulatórias e estratégias de internacionalização
O Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia está em aplicação desde 1º de maio, abrindo uma nova etapa nas relações comerciais entre os dois blocos. Para as empresas brasileiras, as mudanças vão além da redução de tarifas e envolvem aspectos que podem interferir diretamente nas estratégias de exportação e internacionalização.
Levantamento da ApexBrasil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) identificou 543 oportunidades de exportação com tarifa zero desde a entrada em vigor do acordo, principalmente para produtos industriais. O estudo também mapeou setores e produtos com potencial de expansão no mercado europeu em diferentes estados brasileiros.
Na avaliação da Câmara Espanhola, o novo cenário exige preparação das companhias interessadas em ampliar negócios entre Brasil e Europa.
“O acordo Mercosul-União Europeia cria um ambiente mais favorável para a internacionalização, mas também exige preparação. As empresas precisam entender as novas regras, avaliar seus mercados-alvo e se estruturar para competir em um cenário mais integrado entre os dois blocos”, afirma Alejandro Gomez Gil, diretor da Câmara Espanhola.
1. Regras de origem ganham importância
Uma das primeiras mudanças que as empresas precisam acompanhar envolve as regras de origem. São elas que determinam quais mercadorias podem usufruir das condições tarifárias previstas pelo acordo.
Na prática, isso exige que as companhias conheçam não apenas seus próprios produtos, mas também a procedência dos componentes e insumos utilizados na cadeia produtiva.
“Mapear fornecedores e compreender as regras de origem deixa de ser uma questão operacional e passa a ser um fator estratégico para quem pretende aproveitar os benefícios previstos no acordo”, explica Gomez Gil.
2. Redução de tarifas cria novas oportunidades e aumenta a concorrência
O acordo prevê a eliminação ou redução gradual de tarifas em diferentes setores. Para empresas brasileiras, isso pode melhorar as condições de entrada de determinados produtos no mercado europeu e tornar operações antes pouco competitivas mais atraentes.
A abertura, entretanto, ocorre nos dois sentidos. O aumento da integração comercial também amplia a competição enfrentada pelas empresas brasileiras.
“As empresas precisam enxergar o acordo por duas perspectivas: como uma oportunidade para ampliar exportações e acessar novos mercados, mas também como um fator que aumenta a competitividade e exige ganhos de eficiência”, afirma o diretor.
3. Europa pode entrar no radar de mais empresas brasileiras
A internacionalização também tende a ganhar espaço nas discussões estratégicas de empresas que ainda concentram suas operações no mercado brasileiro.
Nesse contexto, países como Espanha e Portugal podem funcionar como pontos de entrada para companhias interessadas em construir presença no continente europeu.
“Temos observado um interesse crescente de empresas brasileiras que antes não cogitavam expandir suas operações para Espanha e Portugal. O acordo ajudou a colocar essa possibilidade no radar de organizações de diferentes portes”, destaca Gomez Gil.
A decisão, porém, não depende apenas da identificação de demanda. Estrutura operacional, parceiros locais, tributação, logística e características específicas do mercado escolhido também precisam fazer parte do planejamento.
4. Exigências regulatórias precisam entrar no planejamento
A redução de tarifas não elimina requisitos sanitários, técnicos, ambientais ou relacionados à sustentabilidade exigidos para atuar no mercado europeu.
Por isso, empresas interessadas em exportar precisam identificar antecipadamente quais normas, certificações e procedimentos se aplicam aos seus produtos ou serviços.
“A redução de barreiras é apenas uma parte da equação. Para aproveitar as oportunidades, as empresas precisam compreender exigências regulatórias, modelos de entrada, potenciais parceiros e características de cada mercado”, explica.
O cumprimento dessas exigências pode determinar se uma oportunidade tarifária será efetivamente convertida em negócio.
5. Pequenas e médias empresas também podem encontrar oportunidades
Os efeitos do acordo não estão restritos às grandes companhias. O texto prevê mecanismos de cooperação direcionados às micro, pequenas e médias empresas, com iniciativas relacionadas a produtividade, competitividade, comércio e investimentos entre os blocos.
Para essas organizações, a mudança pode criar caminhos para acessar mercados internacionais, mas também aumenta a importância de planejamento, informação e formação de parcerias.
“O momento não é mais de observar o acordo à distância. As empresas que desejam aproveitar esse novo cenário precisam começar agora a identificar parceiros, mercados e requisitos para atuar de forma competitiva entre os dois blocos”, conclui Gomez Gil.
Com a aplicação do acordo, o desafio para as empresas brasileiras passa a ser transformar as novas condições comerciais em oportunidades concretas. Isso envolve identificar onde existem vantagens tarifárias, compreender as exigências do mercado europeu e avaliar se a internacionalização faz sentido dentro da estratégia de cada negócio.









