A pergunta que parece pessimista, mas pode salvar meses de trabalho da sua equipe

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Imaginar antecipadamente por que um projeto pode fracassar parece contradizer o otimismo necessário para começar. Na prática, esse exercício pode revelar problemas enquanto ainda existe tempo para fazer alguma coisa
Uma equipe está prestes a iniciar um projeto importante.
O planejamento está pronto, o orçamento foi aprovado e todos parecem confiantes. Nesse momento, alguém propõe um exercício estranho:
“Vamos imaginar que estamos seis meses no futuro e esse projeto fracassou. O que provavelmente aconteceu?”
As respostas começam a aparecer.
O prazo era irreal. O cliente não aderiu. A equipe ficou sem capacidade. Uma hipótese importante estava errada. O fornecedor atrasou.
Nada disso aconteceu ainda.
E essa é justamente a vantagem.
A lógica se conecta às ideias discutidas por Tim Harford em Adapte-se, obra que explora experimentação, aprendizado com erros e a importância de ajustar caminhos quando a realidade contraria aquilo que havia sido planejado.
Tentar provar que uma ideia dará certo pode esconder seus maiores problemas
Depois que uma empresa decide avançar com um projeto, existe uma tendência natural de procurar maneiras de fazê-lo funcionar.
Isso é necessário para executar.
Mas também pode fazer com que sinais contrários sejam tratados como obstáculos menores.
Imaginar o fracasso antes de começar inverte temporariamente essa lógica. Em vez de defender o plano, a equipe recebe permissão para atacá-lo.
Qual premissa parece otimista demais?
De quem estamos dependendo?
Onde existe menos margem para erro?
O que estamos presumindo sobre clientes sem realmente saber?
O objetivo não é cancelar o projeto. É torná-lo mais difícil de surpreender.
Pequenos testes podem evitar grandes apostas erradas
Se uma das maiores dúvidas está na reação do cliente, talvez seja possível testar uma versão reduzida.
Se existe incerteza sobre determinada tecnologia, um piloto pode vir antes da implementação completa.
Se o cronograma depende de uma hipótese crítica, ela pode ser validada primeiro.
Essa mentalidade troca a obrigação de acertar antecipadamente pela possibilidade de aprender antes de comprometer recursos demais.
Para quem quiser explorar melhor essa relação entre experimentação, erro e adaptação, o novo Administradores Premium conta com um playbook em áudio que percorre algumas das principais ideias de Adapte-se, de Tim Harford, e discute como elas podem ajudar a lidar com problemas e mudanças na prática.
Planejar também deveria incluir a possibilidade de estar errado
Empresas normalmente definem metas para determinar quando um projeto está funcionando.
Pode ser igualmente útil estabelecer sinais que indiquem o contrário.
Se depois de três meses determinado indicador não aparecer, revisamos a estratégia.
Se o custo ultrapassar certo limite, reavaliamos.
Se a hipótese principal estiver errada, testamos outro caminho.
Isso evita uma situação comum: continuar investindo apenas porque admitir o erro ficou mais desconfortável do que insistir.
O Playbook que explora as reflexões de Adapte-se está disponível na Biblioteca do Administradores Premium, ao lado de conteúdos relacionados a grandes livros, pensadores, teorias, filosofias e metodologias.
Ele funciona como uma porta de entrada para algumas das discussões propostas por Harford e pode despertar o interesse por aprofundá-las diretamente na leitura da obra original.
Perguntar “como isso pode dar errado?” não significa torcer pelo fracasso.
Pode ser justamente uma das melhores maneiras de impedir que ele aconteça.









