Para Guilherme Camargo, negócios sustentáveis são construídos com execução eficiente, previsibilidade e operação estruturada — não apenas com capital externo Em um ambiente de negócios cada vez mais seletivo e orientado por resultados, muitas empresas ainda enxergam a captação de recursos como solução imediata para problemas internos. Para Guilherme Camargo, CEO do SX Group, Venture Builder brasileira com atuação nos setores de tecnologia, marketing, educação, games e economia criativa, o verdadeiro desafio do crescimento está menos na obtenção de investimento e mais na capacidade da empresa de executar com eficiência. Segundo levantamento da Startup Genome, cerca de 74% das startups de alto crescimento fracassam por escalar suas operações antes do momento adequado. Na avaliação de Camargo, esse comportamento não acontece apenas no ecossistema de startups, mas também em empresas tradicionais que tentam expandir sem validar processos, modelo comercial, cultura organizacional ou aderência ao mercado. 'Existe uma romantização muito grande da captação. Muitas empresas acreditam que o investimento resolve desalinhamento interno, baixa produtividade ou falta de foco. Na prática, o investidor não aporta em caos operacional. Ele investe em empresas que já demonstraram capacidade de execução, mesmo em pequena escala', afirma. No modelo adotado pelo SX Group, o crescimento empresarial é trabalhado a partir da construção de bases operacionais sólidas. Em vez de atuar apenas como investidora, a Venture Builder participa diretamente da estruturação do negócio, apoiando founders e equipes em áreas consideradas estratégicas, como gestão, marketing, tecnologia, produto, posicionamento e crescimento. 'O problema raramente é só dinheiro. Muitas vezes é excesso de centralização, operação desorganizada e falta de clareza sobre o que realmente gera valor para o cliente. Quando tudo depende exclusivamente do fundador, a empresa trava. O primeiro passo para sair da inércia é profissionalizar a execução', explica Camargo. Estrutura operacional virou diferencial competitivo Dados da Harvard Business Review mostram que empresas que descentralizam decisões e estruturam processos conseguem ganhos importantes de produtividade e eficiência. Em um mercado mais cauteloso na liberação de capital, esse fator passou a ser visto como vantagem competitiva. Para o executivo, muitos negócios ainda tentam crescer sem compreender indicadores fundamentais da própria operação. Um estudo da CB Insights aponta que 38% das empresas encerram atividades por problemas relacionados à gestão de caixa e modelos comerciais pouco eficientes. Na visão de Camargo, métricas como CAC, LTV, retenção e recorrência deixaram de ser conceitos restritos ao universo das startups e passaram a representar indicadores essenciais de saúde operacional para qualquer empresa que queira crescer de forma sustentável. 'Antes de buscar investimento, a empresa precisa provar que consegue transformar esforço em geração de valor. O investidor quer previsibilidade, eficiência e capacidade de adaptação. Crescimento sem fundamento normalmente vira desperdício de capital', afirma. Empresas mais eficientes ganham espaço no novo mercado Para o CEO do SX Group, o atual cenário econômico favorece negócios mais enxutos, adaptáveis e disciplinados na execução. Mais do que acelerar crescimento a qualquer custo, o mercado começa a priorizar empresas capazes de validar demanda, operar com consistência e demonstrar eficiência antes da escala. Nesse contexto, a capacidade de transformar estratégia em operação prática se torna um dos principais fatores para atrair investidores e sustentar crescimento no longo prazo.