Empresas que amadurecem aprendem a trocar heroísmo por sistema, improviso por critério e urgência por aprendizado No começo, dar um jeito é virtude. O problema aparece, alguém resolve, o cliente é atendido, o prazo é cumprido. Esse espírito salva negócios em fase inicial. O risco surge quando o improviso vira padrão. A empresa continua funcionando, mas para de amadurecer. O esforço cresce, a complexidade aumenta e quase nada se transforma em aprendizado estrutural. Organizações que dependem excessivamente de soluções improvisadas tendem a repetir os mesmos problemas, porque resolvem sintomas sem corrigir causas. 'Dar um jeito' resolve o agora, mas cobra caro do futuro. Improviso frequente é sinal de sistema frágil Quando o time vive resolvendo exceção, algo está errado no desenho. Falta processo, falta critério ou falta decisão sustentada. O improviso aparece como resposta rápida, mas vira muleta. Em vez de perguntar 'por que isso aconteceu?', a empresa pergunta 'quem resolve agora?'. Com o tempo, os mesmos problemas voltam com nomes diferentes. A equipe se torna especialista em apagar incêndio, não em evitar fogo. E a sensação constante é de correria sem avanço real. O custo invisível do 'resolve aí' Dar um jeito consome energia emocional. A pessoa que resolve sempre entra em estado de alerta, se torna referência informal e começa a carregar o sistema nas costas. No curto prazo, ela é valorizada. No médio, vira gargalo. No longo, esgota. Além disso, o improviso constante cria dependência. O time aprende que não vale a pena organizar, documentar ou discutir causa raiz, porque alguém sempre 'se vira'. A maturidade coletiva trava. Quando o improviso vira identidade cultural Em algumas empresas, dar um jeito vira orgulho. 'Aqui a gente resolve.' O problema é quando isso substitui planejamento e padrão. Resolver deixa de ser exceção e vira rotina. E rotina improvisada é caos disfarçado de agilidade. Esse tipo de cultura também pune quem tenta estruturar. Quem pergunta 'vamos criar um processo?' parece burocrático. Quem pede tempo para pensar parece lento. A empresa acelera, mas sem direção. Resolver não é o mesmo que corrigir Resolver apaga o efeito imediato. Corrigir elimina a causa. Sem correção, o problema volta. E volta mais caro, porque agora vem acompanhado de desgaste acumulado. Pergunta simples que quase ninguém faz: isso que estamos resolvendo agora já aconteceu antes? Se a resposta for sim, improvisar de novo não é eficiência. É insistência no erro. Como trocar improviso por maturidade sem travar o ritmo O primeiro passo é registrar exceções. Toda vez que algo sai do padrão, anote. Exceção repetida é sinal de padrão mal definido ou inexistente. O segundo passo é escolher um incêndio por semana para atacar a causa. Não tudo. Um. Pequenos ajustes estruturais reduzem muito mais trabalho do que grandes discursos. O terceiro passo é proteger quem estrutura. Criar processo, critério e padrão não é perda de tempo. É investimento em escala. Liderança precisa deixar isso claro. O papel da liderança nessa virada Líderes amadurecem a empresa quando param de elogiar apenas quem resolve rápido e passam a valorizar quem evita que o problema volte. Prevenção raramente faz barulho, mas sustenta crescimento. Uma pergunta poderosa para líderes: se esse mesmo problema aparecer daqui a três meses, teremos resolvido de verdade ou vamos dar outro jeito? A resposta mostra se a empresa está crescendo ou apenas sobrevivendo melhor. No fim, dar um jeito é necessário em momentos específicos. Viver disso é caro. Empresas que amadurecem aprendem a trocar heroísmo por sistema, improviso por critério e urgência por aprendizado. É assim que o trabalho fica mais leve, o time mais forte e o crescimento mais sustentável.