Ser indispensável no trabalho parece ótimo até chegar a hora da promoção

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Virar a pessoa que resolve tudo aumenta sua importância dentro da equipe. O problema surge quando ninguém consegue imaginar quem faria seu trabalho caso você assumisse uma posição maior.
Existe um elogio profissional que merece ser recebido com um pouco mais de cautela:
“Sem você, isso aqui não funciona.”
À primeira vista, parece excelente. Significa domínio técnico, confiança e relevância.
Para quem pretende crescer na carreira, porém, existe uma contradição escondida nessa frase. Se uma operação realmente não funciona sem você, tirar você daquela função começa a parecer arriscado.
O profissional construiu tanto valor no cargo atual que a própria competência passa a trabalhar contra sua movimentação.
Essa tensão encontra uma conexão interessante com Essencialismo, de Greg McKeown. Ao discutir escolhas, prioridades e concentração de esforços, o autor oferece ideias que também ajudam a questionar uma crença comum na carreira: a de que assumir cada vez mais responsabilidades representa necessariamente evolução.
O funcionário que aceita tudo ganha uma reputação perigosa
“Fala com a Ana.”
“Pede para o Rafael.”
“Ele sabe resolver.”
Ser procurado é positivo. O alerta aparece quando tarefas, informações e decisões começam a se acumular ao redor da mesma pessoa.
Muitos profissionais reforçam essa dinâmica porque ela traz reconhecimento imediato.
Aceitam demandas que poderiam recusar. Resolvem problemas que outros poderiam aprender a resolver. Guardam processos na própria cabeça. Entram em todas as urgências.
O resultado aparece rapidamente: tornam-se essenciais para a função que já ocupam.
Seu próximo cargo exige que alguém consiga assumir o atual
Crescimento profissional não depende apenas de demonstrar capacidade para fazer mais.
Em determinados momentos, depende de tornar transferível aquilo que você já faz.
Documentar um processo.
Ensinar um colega.
Compartilhar informações.
Automatizar tarefas repetitivas.
Deixar de assumir atividades que não precisam mais passar por você.
Nada disso reduz o valor de um profissional. Pelo contrário: muda a origem desse valor.
Para quem quiser aprofundar essa discussão sobre prioridades, escolhas e concentração de esforços, o novo Administradores Premium apresenta um playbook em áudio que analisa ideias importantes de Essencialismo e mostra como os princípios desenvolvidos por Greg McKeown se relacionam com decisões práticas da vida profissional.
Competência também significa deixar coisas para trás
Existe uma fase da carreira em que acumular responsabilidades demonstra crescimento.
Depois dela, continuar acumulando tudo começa a demonstrar outra coisa: dificuldade de abandonar o papel que trouxe você até ali.
O especialista precisa deixar algumas tarefas técnicas.
Quem assume coordenação precisa parar de resolver pessoalmente cada problema.
Quem cresce precisa abrir espaço para responsabilidades que ainda não cabem na agenda atual.
O playbook relacionado a Essencialismo também integra a Biblioteca do novo Administradores Premium, junto a conteúdos sobre grandes livros, pensadores, teorias, filosofias e metodologias.
Ele apresenta algumas das reflexões de McKeown em uma abordagem voltada à aplicação e pode estimular o aprofundamento dessas ideias por meio da leitura da obra original.
Há profissionais que tentam conquistar uma promoção provando que ninguém consegue ocupar seu lugar.
Os que avançam aprendem, em algum momento, a construir exatamente o contrário.









