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"Gente que faz"

Gente que faz um novo Brasil é a base para a formulação de uma teoria de organização genuinamente nacional. Sem negar a inexcedivel contribuição cientifica internacional, é preciso desenvolver conceitos ajustados à nossa realidade. E isso só se fará pelo estudo das práticas de gente que faz.
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As disparidades sócio-econômicas do Brasil são tão grandes e variadas que mais parece “um País cheio de países”. Economicamente, vamos das indústrias mais sofisticadas e até as de produção por robô, de uma grande massa de microempresas sofisticadas a uma considerável produção de bens em nível artesanal.

No campo, convivem a exploração sistemática, moderna e mecanizada de culturas de exportação, e a simples produção para subsistência, com os métodos os mais arcaicos.

Na administração pública, a mesma coisa: enfrentam-se opções e problemas de País altamente desenvolvido, ao lado de questões e situações que perduram desde a Colônia e o Império.

Um País como esse não pode ser administrado empiricamente, sem métodos e práticas científicas, como se vivesse ainda na Idade da Pedra das organizações.

E não pode, tampouco, ser administrado apenas com base nos “pacotes” e modelos importados, produzidos pelo último grito de teorias que, desenvolvidas para outras realidades, nem sempre têm a ver com os problemas especificamente brasileiros.

Os modelos organizacionais que respondem às necessidades de grandes conglomerados, mesmo adaptados, pouco funcionam para o Brasil – que, apesar de possuir grandes empresas e conglomerados, vive uma realidade econômica própria, por maior que seja a influência da globalização e a transferência dos paradigmas colocados na economia mundial.

Mesmo incorporando a produção científica internacional, é preciso elaborar soluções próprias para os problemas administrativos específicos dessa realidade, desenvolvendo uma teoria e uma cultura organizacionais realmente brasileiras, a partir da compreensão e do aproveitamento das já inúmeras contribuições organizacionais brasileiras do tipo “Gente que Faz”.

Essas experiências precisam ser conhecidas, discutidas, compartilhadas, incorporadas pelo universo das organizações brasileiras.

E o administrador é essa “Gente que Faz”, muitas vezes desenvolvendo anonimamente organizações altamente competitivas no cenário internacional.

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www.wagnersiqueira.com.br

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