Brasileiro começou investindo o próprio dinheiro em leilões e transformou dificuldades operacionais em uma empresa que hoje estrutura investimentos imobiliários para clientes do Brasil
Fábio Tavares não começou a carreira no mercado imobiliário. Fisioterapeuta de formação, trabalhava na área da saúde quando passou a procurar alternativas para investir o capital que conseguia acumular. Ainda nos anos 2000, ao lado do irmão, começou a comprar propriedades em leilões no Brasil e descobriu que o negócio envolvia muito mais do que dar um lance: posse, burocracia, reforma, venda e administração faziam parte de cada operação.
Anos depois, a estratégia criada para o próprio patrimônio se transformaria em uma empresa nos Estados Unidos. Sua trajetória ilustra uma lógica conhecida do empreendedorismo: dificuldades vividas pessoalmente podem se tornar um modelo de negócio quando dão origem a processos capazes de ajudar outras pessoas.
Do problema à oportunidade
Enquanto investia no Brasil, Fábio começou a estudar o mercado americano, também interessado em construir parte do patrimônio em dólar. Por volta de 2010 e 2011, encontrou um obstáculo inicial: havia pouco conteúdo em português sobre leilões nos Estados Unidos. Foi buscar informações diretamente com operadores locais e reuniu, entre cursos, negócios próprios, erros e acertos, a experiência necessária para atuar naquele ambiente.
Em 2016, percebeu que o conhecimento adquirido poderia se transformar em negócio. Nascia a estrutura que posteriormente se consolidaria como Imóveis USA. Dois anos depois, em 2018, mudou-se definitivamente para os Estados Unidos.

Um imóvel de US$ 3 mil e uma lição empresarial
Um episódio resume o aprendizado por trás da empresa. Em determinada operação, uma propriedade apareceu em leilão por aproximadamente US$ 3 mil. As imagens da fachada sugeriam uma oportunidade excepcional, mas a parte posterior da casa estava severamente comprometida. O imóvel barato se tornou um ativo problemático e precisou ser repassado por um valor inferior ao investido.
“Para chegar à estrutura que temos hoje, você precisa ter o lastro dos erros que cometeu. Nosso objetivo é que o investidor que chega agora não precise cometer os mesmos erros”, afirma Fábio. A experiência passou a orientar mudanças concretas: mais análise prévia, equipes locais mais preparadas e uma estrutura capaz de verificar e executar cada etapa da operação.
O conhecimento precisava virar operação
Nos primeiros anos, grande parte do trabalho dependia diretamente do fundador: procurar imóveis, avaliar oportunidades, contratar reformas e recolocar propriedades no mercado. Para crescer, essa experiência precisava deixar de estar concentrada em uma única pessoa e se transformar em processo.
Hoje, segundo Fábio, mais de 50 profissionais e prestadores participam direta ou indiretamente da Imóveis USA, da captação de oportunidades à corretagem, reformas e administração. A companhia soma, conforme os números apresentados pelo empresário, mais de 200 operações para brasileiros em seis estados americanos. O crescimento da estrutura também transformou a natureza do serviço oferecido.
O cliente tinha capital. O que faltava era tempo
Entre os interessados, Fábio identificou um padrão: empresários, médicos, engenheiros e outros profissionais tinham recursos disponíveis para investir, mas não queriam aprender e executar diariamente uma operação imobiliária no exterior. Ensinar a encontrar leilões resolvia apenas parte do problema; a maior dificuldade estava no trabalho anterior e posterior à compra.
A empresa passou, então, a concentrar etapas como abertura da LLC utilizada nas operações, suporte bancário, identificação de ativos, aquisição, reforma, administração, locação e venda. “Nosso investidor quer investir, mas não transformar isso em uma segunda profissão”, resume Fábio. Nesse modelo, a execução passou a fazer parte da proposta de valor tanto quanto o conhecimento especializado.
Quando a operação ganha escala
A estrutura criou um efeito sobre a velocidade dos negócios. Segundo Fábio, algumas oportunidades apresentadas aos investidores recebem confirmação de compra em poucos minutos. Em determinadas operações, a própria Imóveis USA encontra e arremata o ativo com capital próprio e, depois, o apresenta a um grupo de clientes já preparados. O primeiro que confirma fica com a oportunidade pelo valor anunciado, sem uma segunda rodada para elevar o preço.
Para o empresário, essa rapidez não começa no momento da oferta. Antes dela, o imóvel já passou pela avaliação da equipe, enquanto o investidor conhece o processo, mantém os recursos disponíveis e está estruturado para decidir.

A mudança de papel também é relevante: antes, Fábio precisava executar pessoalmente; agora, seu trabalho é fazer uma estrutura inteira funcionar. Na região entre o norte do Texas e o sul de Oklahoma, ele estima mais de 60 projetos de compra, reforma e revenda. Na cidade onde vive, em Oklahoma, afirma que 111 imóveis de investidores brasileiros estão atualmente alugados. Mais que os números, a transformação mostra como uma expertise individual passou a operar de forma repetível.
Informação continua sendo parte do modelo
Delegar o operacional não significa investir sem compreender o negócio. Por isso, a formação do investidor permanece como parte da estratégia. Nos dias 12 e 13 de dezembro de 2026, Fábio realiza em São Paulo a Business Trip Brasil, uma imersão presencial sobre leilões, estratégias de aquisição e a estrutura necessária para operar nos Estados Unidos.
Ao longo dos dois dias, os participantes conhecem aspectos jurídicos, tributários, financeiros e operacionais, além dos critérios usados na avaliação das oportunidades. A proposta é que possam analisar o mercado com mais clareza e, quando houver interesse e perfil adequado, eventualmente participar dos grupos de investidores da Imóveis USA. “Quem vai investir precisa entender exatamente o que acontece antes, durante e depois da compra”, afirma Fábio.
O empresário começou tentando descobrir como investir melhor o próprio dinheiro. Anos depois, transformou uma sequência de dificuldades, erros e aprendizados em um sistema para que outros investidores não precisem começar do mesmo ponto. A experiência pessoal se tornou negócio quando passou a funcionar como um processo executado por diferentes profissionais.









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