Você é um discípulo das “cinco forças” ou um partidário do “oceano azul”?
Ou seja, tenta dominar mercados existentes ou busca a oportunidade de criar novos mercados? Cada uma dessas duas abordagens à estratégia tem seus defensores, mas, até onde é conhecido, ninguém até hoje havia feito um estudo empírico comparando os dois campos.
Foi o que Andrew Burke, André van Stel e Roy Thurik fizeram.
Para estruturar a investigação, os autores usaram um modelo apresentado em 1921 num tratado seminal de economia de Harold Hotelling.
A tese é que, enquanto houver lucro a ser obtido num determinado mercado, mais e mais empresas entrarão nele – até que se atinja um ponto de saturação no qual todo mundo mais ou menos empata.
Segundo os autores, se setores inteiros forem analisados dessa forma, é possível saber se, ao longo do tempo, uma estratégia de inovação ou uma estratégia de competição é o melhor.
Naturalmente, a abordagem do oceano azul a este modelo exigiria a criação de um novo mercado. Se isso atraísse consumidores a longo prazo, o lucro e o número de empresas no setor subiriam sem parar – e o leitor concluiria que a empresa triunfa ao apostar em novos mercados.
Já se a rentabilidade caísse à medida que o número de empresas subisse, seria sinal de que o escopo de novas oportunidades era limitado ou que barreiras à imitação da pioneira eram muito baixas. Seja como for, nesse cenário empresas focadas na competição superariam as que investem num oceano azul.
Os autores testaram o modelo no varejo holandês. Foram analisados, o lucro e o número de concorrentes para 41 tipos de estabelecimento comercial num período de 19 anos (1982 – 2000).
Em 2000, essas categorias representaram cerca de 83% de todas as lojas de varejo na Holanda e cerca de 90% da receita e dos empregos do setor. Os autores ficaram surpresos ao encontrar indícios de que a estratégia do oceano azul é sustentável.
Em mais de metade das categorias de loja, o lucro da empresa média e o número de empresas tinham correlação positiva.
E, acima de tudo, após ajustes para fatores externos como efeitos do ciclo econômico, os autores desceobriram em todos os tipos que a rentabilidade da empresa média e o número de empresaas subiram e caíram juntos ao longo do período.
Burke, Stel e Thurik, comentam que seria tolice descartar por completo a estratégia da competição. O estudo mostra que a concorrência a certa altura derruba o lucro trazido pela inovação.
Mas é um processo lento, que leva 15 anos ou mais, o que sugere que a abordagem do oceano azul leva boa parte de uma geração para ser desbancada pela estratégia da competição.
Fonte: Andrew Burke, professor da Cranfield School of Management no Reino Unido. André van Stel, pesquisador senior da EIM Business and Policy Research, na Holanda e Roy Thurik, professor da Erasmus University, na Holanda. Publicado na Harvard Business Review. Maio 2010.







Bruno Perin
Alessandro Almeida
Aline Rizzo
Marco Antonio Spinelli

Janguiê Diniz

Raquel Torres
Armando Lourenzo
Daniela Viek









