6 perguntas para saber se sua carreira avançou de verdade neste ano

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Revisar objetivos, competências, experiências, networking e decisões profissionais ajuda a identificar avanços, lacunas e os próximos passos antes do fim do ano
Com pouco mais de quatro meses até o fim do ano, o segundo semestre pode funcionar como um bom momento para revisar metas profissionais e entender o que realmente mudou desde janeiro. Mais do que conferir se houve promoção, aumento salarial ou troca de emprego, esse check-up envolve avaliar se as experiências acumuladas, as competências desenvolvidas e as decisões tomadas aproximaram o profissional do lugar que deseja ocupar.
Esse tipo de análise também pode revelar que o problema não está na velocidade do avanço, mas na própria direção escolhida. Foi o que aconteceu com Sabrina Rigamonte, ex-aluna de Administração — Global BBA da SKEMA Business School. Ela começou a carreira em vendas e marketing, mas percebeu, durante a própria experiência profissional, que aquela atuação não correspondia ao tipo de problema que desejava resolver. Sem ter uma nova trajetória completamente desenhada, passou a buscar oportunidades ligadas a dados e tecnologia, fez a transição no Hermes Pardini e hoje atua como Front End Analytics Manager na ABB, na América do Norte.
Rever a direção também faz parte do planejamento
“Eu começaria entendendo por que aquela carreira se tornou meu objetivo: por interesse, propósito, retorno financeiro ou expectativa externa. Depois, compararia meu perfil com o de profissionais que já ocupam a posição que desejo e identificaria quais experiências ou competências ainda preciso desenvolver”, afirma Sabrina.
Para ela, um check-up de carreira eficiente combina autoconhecimento, análise das exigências do mercado e definição de um plano concreto para os próximos seis meses.
A trajetória de Giovana Matos, também formada pelo Global BBA da SKEMA, mostra outra possibilidade. Depois de começar no mercado financeiro, onde permaneceu por dois anos, ela decidiu migrar para consultoria a partir do interesse por governança corporativa desenvolvido ainda na graduação. Após uma experiência em uma consultoria de Belo Horizonte, ingressou na EY, onde hoje trabalha como Consultora de Riscos.
Na avaliação de Giovana, revisar a carreira também significa observar se as escolhas feitas ao longo do caminho continuam contribuindo para o desenvolvimento profissional e se há equilíbrio entre formação, experiência prática e construção de relacionamentos.
“Cursos e certificações são importantes para atualizar conhecimentos, mas acredito que a experiência adquirida em projetos reais e no dia a dia profissional é o que realmente consolida esse aprendizado”, afirma.
As experiências das duas profissionais mostram que essa revisão não precisa acontecer apenas quando surge a vontade de trocar de emprego. O segundo semestre pode ser justamente o momento de identificar avanços, reconhecer lacunas e ajustar a estratégia para os meses seguintes.
A partir dessas trajetórias, a SKEMA Business School reuniu seis pontos que podem ajudar profissionais a fazer esse diagnóstico antes do fim do ano.
1. O objetivo profissional ainda faz sentido?
O primeiro passo acontece antes mesmo da revisão de currículo, cursos ou candidaturas. É preciso verificar se o destino continua sendo o mesmo.
A experiência de Sabrina mostra que perceber o que não funciona também pode representar avanço. O desconforto com a primeira área em que atuou fez com que ela começasse a investigar possibilidades mais próximas de dados e tecnologia. A mudança não nasceu de um plano completamente definido, mas da percepção prática sobre aquilo que já não fazia sentido.
Por isso, antes de estabelecer novas metas, vale questionar por que determinado cargo ou carreira ainda é desejado e se esse objetivo responde a interesse pessoal, retorno financeiro, propósito ou apenas a uma expectativa construída anteriormente.
2. Quais competências ainda separam você do próximo passo?
Com o destino mais claro, o exercício seguinte é comparar o próprio perfil com o de profissionais que já ocupam a posição desejada.
Isso envolve observar descrições de vagas, experiências exigidas, conhecimentos técnicos, idiomas e habilidades comportamentais recorrentes. Na atuação de Giovana em consultoria de riscos, por exemplo, capacidade analítica, comunicação, adaptabilidade, inglês e relacionamento estão entre as competências consideradas fundamentais.
Em vez de tentar desenvolver muitas habilidades ao mesmo tempo, o segundo semestre pode ser usado para atacar uma ou duas lacunas prioritárias por meio de projetos, cursos, apresentações, prática de idiomas ou novas responsabilidades no trabalho.
3. Você acumulou conhecimento ou também aplicou o que aprendeu?
Outro ponto importante é avaliar o que foi feito, na prática, com o conhecimento adquirido.
Durante a graduação, uma disciplina de tecnologia despertou em Sabrina o interesse por automação. A partir dos conhecimentos que já possuía em Excel, ela desenvolveu uma planilha semiautomatizada para facilitar uma atividade realizada pela equipe da 35ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A solução permaneceu em uso durante quatro anos.
A experiência ajudou Sabrina a identificar uma característica que depois influenciaria sua carreira: o interesse por resolver problemas por meio de dados e tecnologia.
Ao revisar o semestre, portanto, uma pergunta importante é menos sobre quantos cursos foram concluídos e mais sobre quais problemas concretos o profissional conseguiu resolver.
4. Sua estratégia de busca por oportunidades está funcionando?
Para quem deseja mudar de emprego, quantidade de candidaturas nem sempre significa estratégia.
Quando decidiu permanecer nos Estados Unidos após a graduação, Sabrina buscou apoio do escritório de carreiras do campus da SKEMA em Raleigh e passou a participar de encontros mensais com uma mentora. O objetivo era compreender melhor como o mercado americano avaliava candidatos.
A partir daí, revisou o currículo, tornou as candidaturas mais seletivas, intensificou o uso do LinkedIn e passou a participar de grupos de mentoria e redes de ex-alunos.
Ainda assim, foram cerca de seis meses de candidaturas e recusas até surgir a oportunidade na ABB, duas semanas antes do prazo em que precisaria retornar.
O caso mostra que o check-up também deve incluir indicadores objetivos: quantas candidaturas geram entrevistas, se o currículo comunica adequadamente a experiência e se as empresas escolhidas realmente correspondem aos objetivos profissionais.
5. Como está seu networking?
O networking aparece nas trajetórias de Sabrina e Giovana como ferramenta de desenvolvimento, e não apenas como meio para encontrar vagas.
Giovana destaca a importância de manter contato com profissionais que compartilhem conhecimentos, experiências e oportunidades. Sabrina, por sua vez, utilizou grupos de ex-alunos, mentorias e conexões profissionais para compreender melhor um mercado no qual ainda estava entrando.
Por isso, a meta para os próximos meses não precisa ser simplesmente aumentar o número de conexões no LinkedIn. Pode ser mais útil identificar quem ajuda a entender melhor determinada carreira, empresa ou setor e com quem vale construir uma relação profissional consistente.
6. Existe uma ação concreta para realizar até dezembro?
Um diagnóstico só produz efeito quando termina em uma decisão.
Para quem sente que está estagnado, Giovana recomenda identificar quais experiências, competências ou resultados ainda faltam para o próximo passo e, a partir disso, buscar situações que tirem o profissional da rotina. Pode ser assumir um novo projeto, pedir feedback ao gestor, começar um idioma ou conversar com alguém mais experiente.
Sabrina segue uma lógica semelhante. Para estudantes e jovens profissionais, ela recomenda buscar ainda neste semestre alguma atividade que envolva novas pessoas e uma responsabilidade diferente da habitual.
Check-up de carreira precisa terminar em movimento
Para Ana Veloso, Gerente de Relações Corporativas e Carreiras da SKEMA Brasil, o segundo semestre é uma oportunidade para retomar o protagonismo sobre a própria trajetória profissional.
“O segundo semestre é um bom momento para sair do piloto automático e assumir novamente o protagonismo sobre a gestão da própria carreira. Isso significa olhar para o que foi planejado no início do ano, reconhecer os avanços, identificar possíveis oportunidades de desenvolvimento e, principalmente, transformar esse diagnóstico em ações concretas”, afirma.
Segundo ela, o próximo passo nem sempre será uma promoção ou uma mudança de emprego. Muitas vezes, ele começa com uma nova experiência, uma competência desenvolvida ou uma conversa que amplia a visão sobre possibilidades profissionais.
“É exatamente esse processo de reflexão, desenvolvimento e conexão com o mercado que o Talent & Careers oferece aos estudantes da SKEMA ao longo de sua jornada acadêmica, ajudando cada um a construir uma trajetória profissional alinhada aos seus objetivos e ao que o mercado busca”, completa.
Em comum, as trajetórias de Sabrina e Giovana mostram que planejamento profissional não significa prever todos os movimentos da carreira. O mais importante, neste segundo semestre, pode ser entender se a direção ainda faz sentido, reconhecer o que falta para o próximo passo e transformar esse diagnóstico em pelo menos uma mudança concreta antes que o ano termine.









