Esta executiva transforma sua experiência em grandes marcas em método para fortalecer líderes na era da IA

Imagem: Divulgação/Giuliana Tranquilini
Especialista em branding e reputação profissional reúne passagens por Natura, Havaianas e Spencer Stuart em uma metodologia voltada à construção de presença executiva e diferenciação
Ao longo de quase três décadas, Giuliana Tranquilini participou da construção e do posicionamento de algumas das marcas mais conhecidas do Brasil. Sua trajetória inclui passagens por Natura, Havaianas e Shopping Iguatemi, além de projetos desenvolvidos pela AlmapBBDO para empresas como PepsiCo e O Boticário. A experiência acumulada nesse percurso ajudou a formar uma visão sobre identidade, reputação e construção de valor que mais tarde daria origem a uma nova atuação profissional.
Na Natura, Giuliana aprofundou a compreensão de que marcas consistentes são sustentadas pela coerência entre propósito, identidade e relacionamento. Já na Havaianas, acompanhou o desafio de levar um ícone brasileiro a diferentes mercados internacionais sem perder autenticidade, experiência que ampliou sua visão sobre posicionamento global.
Quando a identidade profissional deixa de caber no cargo
A mudança mais profunda em sua trajetória aconteceu justamente depois de deixar a Natura. Após anos associada a uma organização que fazia parte de sua identidade profissional, Giuliana passou por um período que define como um luto de carreira.
A experiência trouxe uma pergunta recorrente entre profissionais que atravessam transições: o que permanece quando o cargo, o crachá ou a empresa deixam de definir quem aquela pessoa é?
A reflexão ganhou ainda mais peso quando Giuliana se tornou mãe de três filhas. Em um período em que flexibilidade e trabalho remoto ainda ocupavam pouco espaço nas discussões corporativas, ela precisou reorganizar sua trajetória para conciliar desenvolvimento profissional e maternidade.
“Percebi que muitas pessoas passam décadas construindo a reputação das empresas onde trabalham, mas raramente dedicam o mesmo tempo para compreender sua própria história, seus diferenciais e o valor que carregam para além do cargo”, afirma.
Foi nesse momento que passou a enxergar com mais clareza a ideia de portfólio de carreira. Experiências, competências, relacionamentos e capacidade de gerar impacto continuam pertencendo ao profissional mesmo quando uma função termina ou uma empresa deixa de fazer parte de sua rotina.
Experiência com executivos mudou sua visão sobre reputação
A passagem pela Spencer Stuart, uma das principais consultorias globais de executive search, acrescentou uma nova camada a essa visão.
Ao participar de processos voltados a posições C-Level, Giuliana teve contato próximo com executivos responsáveis por grandes organizações e percebeu um padrão entre os profissionais mais reconhecidos.
Na sua avaliação, eles nem sempre eram os mais expostos ou os que ocupavam maior espaço nas redes. O diferencial estava na clareza sobre quem eram, no que representavam e na maneira como desejavam ser percebidos.
A experiência ampliou seu interesse por comportamento humano, liderança e transformação profissional. A partir daí, buscou formações em Desenvolvimento Humano, coaching, processos biográficos baseados na antroposofia e Personal Branding.
Betafly conecta branding e desenvolvimento humano
A combinação dessas experiências deu origem à Betafly, fundada por Giuliana em parceria com Susana Arbex.
Juntas, desenvolveram o método FLY®, que reúne referências construídas no Brasil e no Vale do Silício e integra posicionamento, reputação, comportamento humano e comunicação estratégica.
A proposta da metodologia não está centrada em aumentar exposição ou estimular presença constante nas redes sociais. O objetivo é ajudar líderes, executivos, empreendedores, médicos e especialistas a compreenderem melhor sua própria trajetória, organizarem sua narrativa e construírem reputação de forma consistente.
Nesse modelo, marca pessoal deixa de ser associada apenas à visibilidade e passa a envolver percepção, confiança e coerência entre discurso, comportamento e entrega profissional.
Inteligência artificial muda a lógica da diferenciação
Nos últimos anos, o avanço da inteligência artificial passou a ocupar espaço relevante nas discussões conduzidas por Giuliana.
Para ela, a tecnologia reduziu barreiras para produção de conteúdo e comunicação, mas criou um novo desafio para profissionais que desejam se diferenciar.
“Durante anos, o desafio era aprender a comunicar. Agora, comunicar ficou mais acessível. O desafio passou a ser preservar autenticidade e ser reconhecido por algo que nenhuma ferramenta consegue reproduzir”, afirma.
Nesse cenário, competências como repertório, experiência, visão própria e capacidade de construir confiança ganham peso. Se ferramentas de IA conseguem acelerar produção, organizar ideias e ampliar alcance, a diferenciação passa a depender cada vez mais daquilo que é difícil de automatizar.
Reputação ganha valor em momentos de transição
Hoje, Giuliana divide sua atuação entre o Brasil e o Vale do Silício e acompanha líderes, empresários, executivos e especialistas em momentos de crescimento, transição ou reposicionamento profissional.
O trabalho parte da ideia de que reputação não deve ser construída apenas quando surge uma mudança de carreira ou necessidade de exposição, mas ao longo de toda a trajetória.
Em um ambiente no qual a inteligência artificial torna determinados formatos e competências mais acessíveis, Giuliana aposta em um ativo que continua essencialmente humano: a capacidade de construir confiança e ser reconhecido de forma consistente pelo valor que se entrega.









