O erro de gestão que começa quando o chefe diz “pode deixar que eu faço”

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Resolver pessoalmente uma tarefa pode ser a saída mais rápida para um problema. Quando isso vira rotina, porém, o líder pode estar construindo uma equipe cada vez mais dependente dele
O prazo está apertado e um funcionário encontra uma dificuldade.
O gestor poderia explicar, acompanhar e permitir que ele resolvesse. Mas existe uma alternativa muito mais rápida:
“Pode deixar que eu faço.”
Em dez minutos, o problema desaparece.
No dia seguinte, acontece novamente. Depois, com outra pessoa. Meses mais tarde, o gestor trabalha até tarde enquanto reclama que sua equipe não possui autonomia suficiente.
O paradoxo é que ele pode ter ajudado a criar exatamente essa falta de autonomia.
Esse tipo de dilema encontra eco em O Lado Difícil das Situações Difíceis, de Ben Horowitz. A obra parte da experiência do autor como empreendedor e CEO para discutir justamente a parte da gestão em que respostas simples deixam de funcionar e líderes precisam enfrentar decisões desconfortáveis.
Ser o melhor solucionador pode virar uma armadilha
Muitos gestores chegaram à liderança porque eram excelentes executores.
Sabem vender, analisar, programar, negociar ou organizar melhor do que profissionais menos experientes da equipe.
Por isso, assumir uma tarefa frequentemente parece eficiente.
Só que existe uma diferença entre resolver o problema atual e aumentar a capacidade da equipe de resolver os próximos.
Quando o chefe assume sempre que algo fica difícil, funcionários aprendem que existe um caminho mais rápido do que desenvolver a própria solução: chamar quem já sabe.
O líder economiza alguns minutos hoje e compra novas interrupções para amanhã.
Uma pergunta pode valer mais do que uma resposta
Na próxima vez que alguém chegar com um problema, o gestor pode começar de outro lugar:
“O que você faria se eu não estivesse aqui?”
A pergunta obriga o profissional a apresentar um raciocínio, não apenas uma dificuldade.
Talvez a solução esteja errada. Nesse caso, o líder pode orientar. Talvez esteja correta e falte apenas segurança para executá-la.
Em ambos os casos, existe aprendizado.
Para quem quiser aprofundar os dilemas que aparecem quando liderar deixa de significar apenas resolver problemas, o novo Administradores Premium conta com um playbook em áudio que parte das principais lições de O Lado Difícil das Situações Difíceis e as aproxima de desafios concretos enfrentados por gestores e empreendedores.
O objetivo não é deixar de ajudar
Autonomia não significa abandonar a equipe.
Existem crises em que o gestor precisa assumir o controle e decisões que realmente pertencem à liderança.
O problema está em transformar exceção em método.
Um líder também pode medir seu desenvolvimento observando quantos problemas que antes chegavam à sua mesa agora são solucionados sem sua participação.
O playbook relacionado a O Lado Difícil das Situações Difíceis também integra a Biblioteca do Administradores Premium, que reúne conteúdos sobre grandes livros, pensadores, teorias, filosofias e metodologias.
Ele oferece uma forma de entrar em contato com algumas das reflexões de Ben Horowitz e pode estimular a leitura da obra original para conhecer em profundidade as experiências e os desafios relatados pelo autor.
No começo, “pode deixar que eu faço” realmente resolve.
O problema é quando a equipe começa a acreditar nisso também.









