As constantes mudanças impostas pelo mercado e pelas atividades das empresas com seu universo de relações e práticas, estão a impor inquietações e a exigir atitudes das organizações e seus gestores, com uma nova ordem: a sustentabilidade e a responsabilidade social.
Observa-se a necessidade das organizações acompanharem os constantes avanços, principalmente tecnológicos, incorporar inovações e maximizar atuações no mercado com estes novos componentes agregando às práticas da gestão tradicional, estratégias de responsabilidade social.
Para que estas práticas de responsabilidade social sejam incorporadas pelas organizações a educação empreendedora desempenha papel decisivo no contexto de formação de jovens empreendedores e também de empreendedores mais experientes.
Mas o que é a responsabilidade social?
Um consagrado pesquisador do tema, Francisco Melo Neto, diz que é muito difícil definir responsabilidade social, porém se as organizações respeitarem quatro quesitos estarão praticando a responsabilidade social. São eles:
a) Responsabilidade econômica – produzir bens e serviços que a sociedade necessita a preços justos, porém que tragam rentabilidade para a empresa;
b) Responsabilidade legal – cumprir as leis, recolher impostos, pagar os funcionários e seus encargos sociais visando o fomento do desenvolvimento sustentável e da cidadania;
c) Responsabilidade filantrópica – praticar comportamentos e atividades desejados pela sociedade e que são ditados pelos valores da empresa, ou seja, aquilo que a sociedade espera e que não esteja ditado em leis. Dar um sentido público às atividades empresariais é um grande desafio ao empreendedor e que a educação empreendedora pode auxiliar;
d) Responsabilidade ética – diz respeito às três anteriores e refere-se ao conjunto de princípios morais e valores que guiam o comportamento da empresa.
A educação empreendedora se apresenta como um caminho para qualificar empreendedores que muitas vezes têm boas ideias, porém lhes falta o preparo necessário para enfrentar os desafios empresariais e mercadológicos. Empreendedores bem preparados têm menores riscos de insucesso. Por isso, é importante que o empreendedor ou aspirante a empreendedor se qualifique, pois o seu desenvolvimento certamente melhorará sua capacidade criativa bem como suas habilidades para gerir o negócio.
Assim, disseminar uma educação empreendedora pode ser um caminho para ultrapassar as barreiras com mais conhecimento e competência. É importante que o empreendedor se qualifique e consiga enfrentar as dificuldades não só com vontade, mas com a convicção de que seu conhecimento o ajudará a atingir seu objetivo. E, neste contexto, incorporar ações e práticas de responsabilidade social em suas estratégias.
Mas como fazer isso?
A estratégia deve estar ligada diretamente à organização bem como ao ambiente que a mesma está inserida. É impossível separar a organização do ambiente seja interno ou externo, por isso disseminar estratégias de responsabilidade social entre os funcionários da empresa, é um primeiro passo.
A cultura empresarial é uma reprodução do ambiente interno da organização, por isso a educação empreendedora deve se manifestar constantemente, através do gestor, nas ações internas da organização visando a responsabilidade social.
A ética deve ganhar um novo status na empresa e tornar-se um atributo essencial de todas as práticas gerenciais adotadas pela empresa. Uma empresa ética adquire uma forte vantagem competitiva no mercado.
Praticar ações socialmente responsáveis dentro e fora da organização. Por exemplo, uma empresa com boas práticas internas de recursos humanos, melhorando a qualidade de vida dos funcionários, auxilia muito na sustentabilidade empresarial. Capacitação, treinamento, voluntariado, desenvolvimento e retenção de talentos são algumas práticas de sucesso em empresas socialmente responsáveis. No âmbito externo, aproveitando o voluntariado existente, praticar ações sociais na comunidade onde a empresa está inserida é uma prática cada vez mais usual e consagrada.
Outra prática empresarial que vem ganhando espaço e servindo de melhora da imagem corporativa, é a elaboração e divulgação do Balanço Social. Esta prática traz uma nova e forte maneira de vantagem competitiva, gerando impactos positivos nos clientes e sociedade em geral.
Finalizando, não é uma tarefa fácil sair de uma gestão centrada apenas em lucros e resultados imediatos para uma gestão centrada em lucros, sim, mas com responsabilidade social. Clientes e comunidade em geral passam a valorizar cada vez mais empresas socialmente responsáveis e com isso promovem uma sustentabilidade maior a estas empresas. Fica claro que a sociedade exige um posicionamento mais consistente e responsável das organizações em relação às questões sociais. Por isso, a educação empreendedora tem papel decisivo na construção dessa nova ordem mundial.








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