Ser promovido para um cargo que você queria há anos não significa que você vai gostar de ocupá-lo

Reprodução/Canva
Algumas metas profissionais parecem certas enquanto estão distantes. O problema surge quando alcançá-las revela que o trabalho desejado era muito diferente do trabalho imaginado.
“Quero chegar à gerência.”
A frase consegue orientar anos de carreira.
Você busca uma promoção, aceita projetos maiores, assume responsabilidades extras e observa quem já ocupa aquela posição tentando entender o que falta para chegar lá.
Até conseguir.
Poucos meses depois, surge uma descoberta desconfortável: talvez você gostasse muito mais do trabalho que fazia antes.
Em Jogue para Vencer, A.G. Lafley e Roger Martin tratam estratégia como um conjunto de escolhas conectadas. Embora a obra esteja voltada principalmente ao universo empresarial, sua lógica oferece uma provocação interessante para a carreira: escolher onde você quer chegar também exige compreender aquilo que essa escolha fará você deixar de fazer.
Você desejava o cargo ou aquilo que ele representava?
Uma promoção consegue reunir várias coisas desejáveis ao mesmo tempo.
Salário maior.
Status.
Reconhecimento.
Mais influência.
A sensação de progresso.
O problema é que nenhuma delas descreve o cotidiano da função.
Um excelente desenvolvedor talvez passe menos tempo programando depois de virar gestor.
Um vendedor que adorava negociar com clientes consegue descobrir que agora dedica boa parte da semana a metas, processos e acompanhamento da equipe.
Um especialista promovido passa a responder por problemas que antes terminavam na mesa de outra pessoa.
O título melhora.
O trabalho muda.
Toda escolha profissional também elimina alternativas
Esse é um dos pontos mais úteis da estratégia quando transportado para decisões de carreira.
Escolher não significa apenas determinar aquilo que você quer.
Também significa aceitar aquilo que ficará de fora.
Antes de perseguir determinado cargo, portanto, vale investigar menos o prestígio associado a ele e mais a rotina concreta de quem já o ocupa.
Como essas pessoas gastam a semana? Quais problemas precisam resolver? O que deixaram de fazer depois da promoção? Quais competências passaram a usar todos os dias?
Para quem quiser explorar melhor a lógica das escolhas estratégicas apresentada por Lafley e Martin, o novo Administradores Premium oferece um playbook em áudio que analisa ideias importantes de Jogue para vencer e mostra como elas podem ser conectadas a decisões práticas.
Nem toda promoção precisa ser o próximo passo
Crescimento profissional não precisa acontecer exclusivamente pela transformação de especialistas em gestores.
Dependendo da empresa e da carreira, aprofundar uma especialidade, ampliar escopo técnico, liderar projetos ou construir novas competências também consegue representar avanço.
O importante está em não confundir automaticamente subir no organograma com aproximar-se do trabalho que você realmente deseja fazer.
O playbook relacionado a Jogue para vencer também integra a Biblioteca do novo Administradores Premium, ao lado de conteúdos editoriais sobre grandes livros, pensadores, teorias, filosofias e metodologias. Ele oferece uma introdução aplicada a algumas das ideias da obra e pode estimular o aprofundamento delas posteriormente no livro original.
Conquistar o cargo que estava no seu plano é uma vitória. Descobrir antes da promoção se você realmente quer o trabalho que vem junto com ele é estratégia.









