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Viajar é forma de conhecer os "bastidores" dos países

Atuar em ações sociais fora do Brasil é experiência inesquecível
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Arquivo pessoalCarlos Hideki (à esquerda) passou um mês trabalhando em uma reserva ambiental na Nova Zelândia

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Quando Paulo Lutero contou a seus pais que decidiu passar um ano no continente africano fazendo trabalho voluntário, a família ficou surpresa. Em janeiro de 2011, o estudante vai desembarcar em Gana, onde ficará nove meses em um vilarejo de 500 habitantes. Depois, segue para a Nigéria, onde trabalhará por mais quatro meses. Ao contrário da irmã mais velha – que concluiu o ensino médio nos Estados Unidos –, Paulo escolheu um tipo de viagem que vem ganhando adeptos no Brasil: o intercâmbio voluntário.

A jornalista Regina Maia é outro exemplo dessa tendência. Ela passou dois meses na cidade praiana Jefrreys Bay, na África do Sul. No primeiro, fez um curso de inglês para negócios, e no segundo, trabalhou como voluntária em uma creche dentro de uma favela. A atividade era feita com crianças de dois a cinco anos que pertenciam a famílias pobres.

A creche tem muita influência no bairro onde está localizada. Ao trabalhar lá, Regina teve a chance de conhecer os “bastidores” do país. E conta que, como não é negra, era aconselhada a não entrar sozinha nas favelas, chamadas de “townships”.

– Eu sou uma brasileira típica, morena, mas lá era considerada branca. E lá, o trauma causado pelo apartheid [regime racista adotado na África do Sul até 1994] ainda existe.

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Regina conheceu um país totalmente diferente do que esperava. Primeiro, porque achou a África do Sul organizada e pouco violenta. Além disso, ao contrário do que imaginava, os hábitos sul-africanos têm poucas semelhanças com os brasileiros: as diferenças vão desde o idioma (eles têm 11 línguas oficiais) até as comida e as roupas.

O choque cultural agradou Regina, que apesar de já ter conhecido outros países, como Inglaterra, Espanha e França, diz que a viagem à África foi a melhor de sua vida.

– Pretendo voltar em breve, se possível para acompanhar a formatura das crianças.

Ajudando a natureza

Recolher o lixo, cortar a grama, cuidar dos jardins. Essas eram algumas das tarefas do estudante Carlos Hideki na reserva ambiental da cidade de Russell, na Nova Zelândia. No final de 2009, ele passou um mês trabalhando voluntariamente no Departamento de Conservação da Natureza do país.

Durante o dia, parte do trabalho envolvia orientar turistas e manter as trilhas bem sinalizadas e limpas – tudo isso tendo como cenário belas praias e florestas. Por volta das 16h, ele e os outros participantes do projeto voltavam para Russell e podiam aproveitar o sol da praia até as 21h.

Apesar da rotina pesada, Hideki voltou ao Brasil com a mesma sensação de Regina: de que a experiência foi a melhor de sua vida. Perguntado se vale a pena pagar para trabalhar, ele nem pensa duas vezes antes de responder que sim.

– Não pensei muito no dinheiro. Vale a pena ter a oportunidade de ajudar e ainda sair de lá como uma pessoa mais madura, mais consciente e com outra visão de mundo.

Fonte: R7

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