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Entendendo a importância da Estatística sem ser gênio, matemático ou bruxo

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Jornais, televisão, rádio, revistas e outros meios de comunicação nos bombardeiam, diariamente, com notícias, baseadas em estatísticas, como se fossem verdades absolutas. Nessa hora, provavelmente, você sente a importância de ser capaz de avaliar corretamente o que lhe dizem. Todavia, será que os números apresentados resultam de uma análise estatística cuidadosa? O perigo está no fato de que, se não consegue distinguir as afirmações falsas das verdadeiras, então você está vulnerável à manipulação por outras pessoas, cujas conclusões podem conduzi-lo para decidir contra os interesses seus e, depois, arrepender-se. Por estas razões, conhecer Estatística é um grande passo no sentido de você tomar controle da sua vida (embora não seja, obviamente, a única maneira necessária).
Observe os seguintes exemplos de afirmações recentemente publicadas em dez meios de comunicação (não estou dizendo que cada uma delas seja verdadeira):
O mercado prevê recuo de até 0,5%. (Folha de São Paulo, Dinheiro, 27 de novembro de 2005)
Tenha o BC exagerado na dose ou não, nenhum economista razoável acredita que as taxas reais cairão abaixo de 10% no curto prazo, a menos que o governo descambe para o populismo monetário.(Revista Veja, edição 1933, 30 de novembro de 2005)
…e o Corinthians tem chances de ficar com o título antecipado. Para isso, precisa vencer a Ponte Preta, no Morumbi, e torcer para um tropeço do Inter, que recebe o Palmeiras no Beira-Rio.(O Estado de São Paulo, 27 de novembro de 2005)
83% farão compras financiadas no Natal e no Ano Novo .(Portal Exame, Finanças, 25 de novembro de 2005)
Em 2004, o rendimento médio ficou em R$ 730, 18,8% menor que os R$ 903 de 1996. (Jornal do Commercio, Brasília, 27 de novembro de 2005)
Segundo informações da Radiobrás, para divulgar a pesquisa Miséria em Queda, a FGV já fez um ‘levantamento relâmpago’, mas bastante completo, na avaliação de Néri, sobre a pobreza com base nos dados da Pnad 2004… (JB Online, 27 de novembro de 2005)
Desde que fechou suas portas no último dia 4 de novembro a Avestruz Master não conseguiu fornecer um único dado seguro quanto ao seu patrimônio ativo ou passivo. (Diário da Manhã, Goiânia, 27 de novembro de 2005)
A renda média real da população ocupada foi de R$ 733, estável em relação a 2003, mas ainda longe de recuperar a perda real de 18,8% em relação a 1996, ano em que a remuneração alcançou seu ponto máximo (R$ 903) desde o início da década de 1990. (Jornal O Globo, 27 de novembro de 2005)
Vinte e cinco por cento das mortes maternas ocorrem em conseqüência de abortos ilegais. (Revista Isto É On-line, 30 de novembro de 2005)
Aprovação a Lula cai de 31% para 28%; reprovação oscila de 26% para 28%. (DataFolha, 21 de outubro de 2005)
Todas essas notícias são, nas suas essências, Estatística. Elas parecem familiares, embora os exemplos sejam de áreas bastante distintas: economia, esporte, comércio, social, industrial, medicina e até política. Em resumo, os números (também expressos por meio de tabelas e gráficos) e a interpretação deles surgem nos discursos de praticamente todo aspecto da vida contemporânea.
Desse modo, as estatísticas são, freqüentemente, apresentadas como um testemunho de credibilidade a um argumento ou a uma recomendação, fato que você pode comprovar ouvindo o veiculado nos meios de comunicação: o primeiro pensamento é acreditar na notícia como se fosse verdade absoluta. Recorde-se, então, do ex-primeiro-ministro britânico Benjamin Disraeli (1804-1881), quando afirmou que Há três espécies de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas.
No entanto, Estatística é método, ciência e arte. É método quando, na Física, na Biologia, na Medicina ou na Pedagogia, aplica-se a populações específicas, isto é, serve a uma ciência particular, da qual se torna instrumento. É ciência quando, graças às suas teorias, estuda grandes conjuntos, independentemente da natureza destes, sendo autônoma e universal. Finalmente, é arte na construção de modelos para representar a realidade.
Assim sendo, nem tudo está perdido, porque a Estatística pode ajudar você a reagir de modo inteligente às informações que lê ou escuta e, neste sentido, torna-se um dos mais importantes assuntos que provavelmente estudou.
O presente artigo tem o objetivo de motivar você a ser mais um dos consumidores inteligentes de estatísticas e, para ser um deles, o primeiro passo é refletir e começar a questionar aquelas que encontrar. Por esta razão, convido você a reformar os seus hábitos estatísticos a partir de agora. Simplesmente, não mais aceite números, tabelas, gráficos e conclusões. Ao invés disso, comece a pensar nas fontes de informação e, mais importante, nos procedimentos usados para gerar essa informação. Defenda-se contra afirmações falsas, embrulhadas como se fossem estatísticas. Aprenda a reconhecer se uma evidência estatística apóia, realmente, uma conclusão apresentada.
A Estatística está toda ela em volta de você, algumas vezes usada de modo adequado, outras vezes não. Como o objetivo da Estatística é auxiliar a sua tomada de decisões em situações de incerteza, distinguir as boas das más estatísticas é, mais do que nunca, um dever, uma obrigação.

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