Ahhh, conquistar a casa própria…
A grande procura manteve o mercado imobiliário bastante aquecido nos últimos anos, mas agora o sonho está ficando um pouco mais complicado.
Você que acompanha os noticiários, deve saber que a Caixa Econômica Federal anunciou, a partir de maio, a diminuição do teto do financiamento de imóveis usados – de 80 para 50% para imóveis de até R$ 750 mil, e de 70 para 40% para imóveis acima de R$ 750 mil.
A explicação é de que os recursos para este fim são provenientes das aplicações em caderneta de poupança, que por sua vez tem registrado uma fuga de recursos neste momento de crise. (Você, por exemplo, deixaria seu dinheiro na poupança sabendo que pode ganhar muito mais em outros investimentos mais seguros?)
Isso significa que, para financiar um imóvel usado pela Caixa com valor de R$ 600 mil:
Antes: era necessária uma entrada de R$ 120 mil.
Agora: a pessoa tem que ter acumulada uma quantia de R$ 300 mil.
Muita diferença!
Para dificultar mais ainda, o Banco do Brasil noticiou em 07/maio a elevação dos juros do financiamento imobiliário. Os outros bancos (privados) não alteraram suas regras, mas já cobram juros mais altos.
Mas, falando em juros altos… por que não inverter o quadro e fazê-los trabalhar para você? Eles são uma alternativa para seu dinheiro! E o aluguel é uma alternativa para seu problema de moradia.
Veremos que, juntando os dois, você pode até encontrar uma melhor alternativa à compra imediata do imóvel!
Cenários para imóvel de R$ 600 mil: comprar OU alugar + investir
Vamos aos fatos (de acordo com as condições atuais):
– O valor do aluguel gira em torno de 0,5% do valor do imóvel
– Em uma boa aplicação, sem grandes riscos, você pode conseguir 1% ao mês
CENÁRIO 1– você compra agora!
Você guardou 20% do valor do imóvel (ou seja R$ 120 mil) – para dar de entrada. Você vai a um banco (que não a Caixa, onde teria que ser 50%) e financia o restante.
Valor a ser financiado = R$ 480 mil
Taxa de financiamento CET* = 12 % ao ano
Prazo = 30 anos
Fazendo os cálculos, pela tabela SAC, o valor da 1ª parcela será de R$ 5.887,95.
Após 30 anos, o total pago pelo imóvel será de R$ 1.422.109,02 (entrada + financiamento).
Lembra que ele custava R$ 600 mil? Você pagou mais de 2x o valor.
* Embora a taxa de juros esteja em torno de 9,6% aa, lembre-se que, na verdade, a taxa efetiva será maior, pois ainda tem impostos, seguros e custos administrativos – compondo o CET (custo efetivo total).
Você pode conferir esta simulação e fazer outras em nossa planilha de Simulação de Financiamentos. Uma ferramenta muito útil para suas próximas decisões:
CENÁRIO 2 – Você aluga agora e aplica o dinheiro para comprar mais tarde.
Valor do aluguel = R$ 3 mil (0,5% do valor do imóvel ao mês)
Economia mensal = R$ 2.887* (diferença entre a parcela de R$ 5.887,95 do financiamento e o aluguel de R$ 3.000) – a ser destinada a uma aplicação financeira.
Valor a ser investido agora = R$ 120 mil (valor da entrada).
*Pela tabela SAC, o valor das prestações cairia com o tempo. Mesmo assim, nos 32 primeiros meses a economia mensal se manteria acima de R$ 2.500.
Enxergamos vários pontos positivos nesta estratégia. Veja só:
– Você está alugando o mesmo imóvel que iria comprar – ou seja, morando onde deseja
– Está economizando mensalmente e aproveitando as altas taxas de juros atuais para aplicar seu dinheiro
– O dinheiro investido sempre garante uma reserva para emergências, evitando cair em endividamento
– Daqui alguns anos, você pode querer um imóvel maior! Já terá mais dinheiro para dar de entrada e com isso pagará menos juros
– No futuro, as taxas de juros podem ter caído e seu financiamento ficará mais barato
Se ainda não está convencido, talvez você possa se interessar também em ler este artigo: A Ilusão da Casa Própria
Como falamos bastante sobre direcionar o dinheiro para investimentos, este eBook gratuito pode te ajudar a colocar em prática: 7 pontos importantes na hora de avaliar um investimento
Para essa estratégia dar certo, é preciso DISCIPLINA, ou seja, realmente direcionar a diferença que pagaria no financiamento para um investimento. Um Planejador Financeiro Pessoal poderá lhe ajudar nisso e também traçar o melhor caminho, dependendo das suas particularidades.
*Artigo escrito em parceria com Florence Corrêa.







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