A
produtividade é a principal fonte para o crescimento de um país. Por sua vez, para
que uma economia permaneça crescente é necessário que sua produtividade seja sustentável.
Os
principais fatores de investimento para uma economia crescente estão ligados
diretamente no capital humano, físico e tecnológico.
Nos últimos
anos o Brasil, tem demonstrado uma falta de eficiência na produtividade devido ao
baixo investimento da mão de obra que produza com qualidade e eficiência em
tempo reduzido.
Para que
uma economia possa ser considerada sólida e forte é necessário investimento em
educação, infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento.
Existem
alguns determinantes da produtividade da mão de obra, entre eles é possível
citar o fator educação. Com relação
a esse fator, o Brasil tem investido pouco, pois comparado a alguns outros
países, a quantidade de brasileiros com nível superior é um tanto baixa.
A pesquisa da Revista Exame com
113 empresas revela que elas entendem que a produtividade é um problema para
ser enfrentado dentro da companhia, sendo que 34% responderam que é preciso
investir em educação, 16% em infraestrutura, 27% na melhoria do ambiente de
negócios e redução da burocracia, 10% incentivo à inovação e o desenvolvimento
tecnológico e 13% em desoneração do orçamento.
“Hoje um trabalhador brasileiro gera perto de 22 000 dólares por ano de
riqueza. O americano, cerca de 100 000 dólares. Ou seja, são necessários 5
brasileiros para produzir a mesma riqueza que um americano.” Revista Exame.
Segundo O Estadão de 10 de abril de 2013, a estimativa padrão para o Japão
em 2012 situava a produção por
trabalhador empregado crescendo 3,08% ao ano. Isso é consideravelmente mais
robusto do que nos Estados Unidos, onde a produção por trabalhador cresceu
apenas 0,37% no ano passado, e muito mais forte do que na Alemanha, onde ela
encolheu 0,25%.
Quando observamos a evolução da mão de obra ao longo dos anos nos diversos
países do mundo, percebemos algumas correlações, como baixa escolaridade
gerando baixos salários e maior quantidade de mão de obra de base disponível no
mercado. Quando os países aumentam a taxa da população em universidades,
redução do analfabetismo, aumento de cursos técnicos, a renda da população
cresce significativamente. Por um lado, se os trabalhadores possuem maior
especialização, maior conhecimento técnico, eleva-se a remuneração necessária
para captar esses profissionais no mercado. Em contrapartida, se reduz o número
de profissionais de base, como diaristas, empregadas domésticas, pintores,
pedreiros, o que eleva significativamente a renda desses profissionais.
Renda aumenta, custo aumenta, imediatamente esse custo é repassado aos
preços de vendas o que contribui para o aumento da inflação e faz com que a
renda perca poder de compra. O mercado é auto-regulável. Nosso desafio é
entender como garantir que teremos profissionais em todas as áreas necessárias
para garantir a evolução da economia no Brasil.
Iniciando pelas áreas de base, antigamente, os filhos de pintores seguiam a
profissão dos pais, filhos de representantes comerciais assumiam o negócio dos
pais, filhas de empregadas domésticas iam trabalhar junto com as mães para
aprender a profissão e serem indicadas para novas casas, filhos de pedreiros
seguiam para as obras junto com os pais, para ajudá-los e aprenderem a nova
profissão. Atualmente casos como esses são exceção. Mais de 35 milhões de
brasileiros ascenderam das classes D/E para a classe C. O poder de compra
aumentou, o acesso à educação melhorou, na análise da população de 10 anos ou
mais por nível de instrução, o percentual de pessoas sem estudo ou com o
fundamental incompleto caiu de 65,1% para 50,2%, enquanto o de pessoas com pelo
menos o curso superior completo aumentou de 4,4% para 7,9% (IBGE 2010).
Em outros países o fenômeno da escassez de mão de obra de base atraiu
trabalhadores de outros países, como mexicanos e brasileiros aos EUA. Esse
fenômeno já começou no Brasil. O Jornal Nacional de 15/08/2011 informou que “no
primeiro semestre de 2011, o número de estrangeiros que vieram trabalhar no
Brasil cresceu quase 20% em relação ao mesmo período de 2010. É um movimento
surpreendente dentro da economia brasileira”. Aumenta a população e a
competição por essa demanda de mercado. Qual o impacto real disso e como
empregar mão de obra estrangeira com as leis brasileiras?
Mas, e quanto às funções técnicas? O que ocorreu com elas? Muitas empresas migraram de centros
empresariais como São Paulo, para outras regiões do Brasil em busca de
incentivo fiscal, mas sentiram uma profunda dificuldade em captar no mercado,
profissionais que garantissem a produtividade necessária. Algumas empresas
fizeram parcerias com Sesi, Sesc, Senai para aumentarem o número de
participantes em cursos técnicos e abastecer o mercado de trabalho. Também, trouxeram na bagagem muitos
profissionais de outras regiões, para garantir o mínimo de entrega necessária
para as funções em aberto. Algumas empresas, simplesmente desistiram e
retornaram para grandes centros como São Paulo. Outras investiram alto
em grandes programas de capacitação e treinamento para garantir a continuidade, como as montadoras no Paraná e Bahia.
Nas funções especialistas, houve uma invasão em
termos de quantidade de profissionais formados. Na última década, de 2001 a
2010, o crescimento do acesso ao ensino superior no Brasil foi de 110,1%
segundo o INEP. Ainda, cresce o número de cursos à distância, já é possível
escolher entre 1.044 cursos de 140 instituições de ensino (reportagem do Jornal
Hoje de 02/04/2013). Temos mais profissionais formados, mas, com um nível de
qualidade ainda muito baixo para os padrões de países de primeiro mundo.
Resultado de uma falha educação de base, como vemos em diversos processos
seletivos, onde candidatos têm dificuldades em matemática básica ou gramática.
Algumas faculdades tentam dirimir essa falha na educação de base, como a PUC PR
que inclui em sua grade do primeiro ano dos cursos de administração e economia, 1 ano de matemática básica.
O país gasta com investimento em educação média de 5,5%
do PIB em programas de educação, incluindo os gastos públicos e os
investimentos privados, tendo em vista que é um valor alto, comparando que os
Estados Unidos destinam 5,3% de seu PIB com educação e a Inglaterra, 5,5%. O
problema que o Brasil enfrenta é a distribuição desigual dos recursos nos
diferentes níveis de ensino. Aos alunos de nível superior é destinada uma
quantidade muito maior de recursos do que para os do ensino fundamental. (IBGE 2008).
O que significa que temos muitos profissionais formados
no mercado, mas com qual grau de conhecimento? Capazes de produzir o suficiente
para sanar as necessidades de produtividade das empresas? Com competência para
entregar um trabalho de qualidade, que garanta a perpetuidade da empresa, que
contribua com a sua missão?
A pesquisa “O retrato do treinamento no Brasil 2013”,
mostrou que são cinco os temas que as empresas pesquisadas consideram
prioritários para os programas de treinamento: liderança (80%), qualidade e/ou
atendimento ao cliente (41%), comunicação (38%), segurança e/ou treinamento
obrigatório (24%) e tecnologia da informação (19%).” A pesquisa
registrou, ainda, que 84% dos colaboradores das empresas participantes
participaram de programas formais de T&D. A relação entre investimento em
T&D e o faturamento das organizações pesquisadas mostra um índice médio de 0,8%. “O aceitável seria entre 1% e 1,5%.”
Segundo Alfredo Castro, da MOT. Ou seja, mesmo as grandes empresas, que contribuíram para a pesquisa, ainda investem aquém do necessário para garantir
a produtividade de sua mão de obra. Talvez, considerando o investimento
realizado em países desenvolvidos, e desconsiderando o fato de termos uma
formação básica inferior em termos de qualidade, quando citamos a maioria da
população. Considerando os temas que estão sendo trabalhados e priorizados
pelas empresas, o foco está no desenvolvimento das lideranças, o que faz
sentido se pensarmos na forma mais barata de multiplicar conhecimento, porém,
quão técnicos ou especialistas são esses líderes. Quão sofisticados e
desafiadores são esses treinamentos? Quão eficientes, se há um gap no
conhecimento básico?
Outro determinante é o fator pesquisa
e desenvolvimento, reportagem da Revista Veja em 07/04/2013, aborda o
quanto o governo atual apostou na criação de empregos, visando o
desenvolvimento econômico do Brasil, mas falhou em investir em inovação e
tecnologia. A evolução da produtividade por trabalhador entre 1996 e 2003
estava negativa em 2% na indústria de transformação. Entre 2003 e 2009, essa
queda se ampliou para 10,3%, segundo dados presentes no estudo Uma
história sobre dois países, elaborado pelos economistas Marcos Lisboa e
Samuel Pessoa, cita a reportagem.
Essa mesma reportagem cita que
a abertura de mercado tem papel essencial nessa dinâmica. Conforme explica o
economista Paulo de Tarso Almeida Paiva, professor da Fundação Dom Cabral e
ex-ministro do Trabalho do governo FHC, a importação de tecnologia é essencial
quando a capacidade de inovar de um país não é suficiente para melhorar sua
produtividade. E o governo desestimula tais ganhos ao impor políticas
protecionistas ao país para proteger justamente o emprego, como ocorre no setor
automotivo, em que montadoras que não produzem localmente estão sujeitas a
altíssima carga tributária. “A nossa capacidade de inovar gerando tecnologia
própria é muito baixa. E quando se abre o comércio, importa-se o produto, a
tecnologia e se ganha em produtividade”, explica. Paiva também cita o exemplo
automobilístico para comparar o desempenho do Brasil com países asiáticos. “O
setor sempre foi alvo de estímulos, mas o Brasil não conseguiu se reafirmar,
não criou tecnologia própria nem marca própria, como fizeram China e Coreia”,
afirma.
O terceiro fator fundamental
para a produtividade é a infraestrutura. A BBC Brasil publicou no dia
28/05/2012 que “A lógica é simples. Sem estradas de boa qualidade e uma
baixa produtividade do trabalhador, o preço dos produtos brasileiros tende a
ficar mais caro, perdendo espaço para os importados internamente e sofrendo
concorrência acirrada no exterior, o que acaba por afetar nosso
crescimento”, afirmou Sílvio Campos Neto, economista da Tendências
Consultoria.
Uma das razões da estagnação da
produtividade nas últimas décadas no Brasil é o baixo investimento em
infraestrutura. Em 1990, para cada brasileiro empregado havia um estoque de 41
000 dólares. Em 2010 a correlação continuava mesma, segundo a Revista Exame de
03 de outubro de 2012. Nos EUA, a correlação é de 245 000 dólares. A área de
construção civil é uma das que mais sofre, enquanto no Brasil 2 funcionários
constroem 17 metros quadrados por dia no sistema de alvenaria, nos Estados
Unidos, uma dupla de operários levanta de 40 a 50 metros quadrados com material
pré-moldado.
O que
agrava a situação do Brasil é que além do investimento insuficiente ou mal
direcionado do governo em infraestrutura, 90% das empresas no Brasil tem menos
de 10 funcionários, nos EUA são 54%. Quanto menor a empresa, menor o
investimento em tecnologias que poderiam aumentar a produtividade. Destaca a
reportagem da Exame.
Observando os 3 fatores que
impactam diretamente na produtividade é possível perceber que não basta esperar
que o governo sozinho crie soluções para aumentar a produtividade. As empresas
privadas precisam começar a fazer contas. Quanto é possível incrementar em
termos de produtividade se elevarmos o investimento interno nas empresas em
treinamento e capacitação de forma estratégica, pensando nas bases necessárias
para que o trabalhador encontre soluções com mais qualidade para os desafios
diarios. Rever o nível de investimento em pesquisa e desenvolvimento para
garantir a perpetuidade dos negócios e encontrar soluções continuar crescendo e
claro, analisar os equipamentos, as tecnologias utilizadas atualmente e estratégicamente,
definir pela troca dos menos produtivos.
Num país com políticas
protecionistas, a melhor saída é buscar soluções independentes.
Bibliografia
STEFANO, Fabiane e JUNIOR Humberto Maio, Agora vem a parte mais difícil, Revista Exame, São Paulo, Edição 1025, Ano 46, paginas 34 a 43, 10/2012.
Revista Exame Edição 1025 Ano 46 3/10/2012 página 37
http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=28866&sid=57
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/05/120528_brasil_economia_problemas_.shtml
http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/2013/04/10/a-promessa-da-abenomia/








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