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Por que sua estratégia acontece fora da empresa e não dentro dela

Bruno Perin
Bruno Perin
23 set 2026 às 13:25
Última atualização: 23 set 2026
8 min leitura
23 set 2026 às 13:25
8 min leitura
Última atualização: 23 set 2026
Por que sua estratégia acontece fora da empresa e não dentro dela

Foto: Divulgação/Ken Diamond

Ken Diamond, CEO da Escale, revela por que o planejamento estratégico isolado está falindo e o que C-Levels precisam fazer para recuperar o contato com a realidade do mercado

Ken Diamond é cofundador e CEO da Escale, startup brasileira com plataforma conversacional de IA especializada em vendas que atende empresas enterprise nos setores de telecom, serviços financeiros e seguros. Em 2025, a companhia gerou mais de 500.000 vendas e R$ 3,5 bilhões em receita para seus clientes, com mais de 200 colaboradores e mais de US$ 30 milhões captados de fundos de venture capital como QED Investors e Kaszek Ventures. Ken morou no Japão e nos Estados Unidos, mas escolheu São Paulo como base para construir a empresa, que hoje passa por um “renascimento”: desmontou boa parte da operação, inclusive reduzindo o quadro de forma significativa, para reconstruí-la como uma startup de IA nativa. Essa jornada de reinvenção dá a ele uma perspectiva rara sobre o que funciona, o que falha e o que ninguém te conta quando você está no topo do organograma tomando as decisões que definem o futuro da empresa.

1. Decisões Reversíveis: A Velocidade Como Vantagem Competitiva

Pergunta: Como você decide o que precisa ser rápido e o que precisa ser cuidadoso quando tudo parece importante ao mesmo tempo?

Insight de Ken Diamond: “Decisões reversíveis e não reversíveis. As reversíveis, quando sei que ela pode ter risco, ou eu posso passar para alguém, aqui é importante ser rápido. Quando é irreversível, primeiro olhar a maior perspectiva. Quando é sobre pessoa, eu olho cultura. Quando é estratégica, olho para o end game. Tento não dar pressão para isso, para buscar mais informações e novas óticas para me apoiar. Às vezes procuro pessoas que já tomaram essa decisão para me mostrar os impactos.”

A genialidade desse insight está na simplicidade que a maioria dos C-Levels ignora. A tentação de tratar toda decisão com o mesmo peso é o que cria gargalos em empresas que poderiam ser ágeis. Ken está aplicando, sem citar, o mesmo framework que Jeff Bezos usou para escalar a Amazon até o topo da Fortune Global 500: decisões são portas. Algumas são de duas vias, você atravessa, avalia e volta se precisar. Outras são de uma via, não tem volta. A diferença é que a maioria dos executivos aplica o mesmo processo pesado e burocrático para ambas, perdendo velocidade nas decisões que poderiam ser delegadas e ganhar tempo nas que realmente merecem reflexão. O benefício concreto para um C-Level é claro: liberar a organização para se mover rápido no que é reversível enquanto protege o que não pode ser desfeito.

2. Informação de Baixo: O Executivo Não Pode Ficar Isolado

Pergunta: Qual a habilidade que nenhum MBA te ensina mas que determina se você vai tomar boas decisões ou não?

Insight de Ken Diamond: “Como executivo tem o desafio de estar um pouco distante. Então é um pouco perigoso o jeito que chega a informação até você. A habilidade de conseguir acessar as informações que vem mais de baixo. Criar relações de confiança é fundamental para as pessoas falarem ideias diferentes.”

Aqui está o ponto cego que custa caro. Quando a informação chega filtrada, maquiada e endossada por três camadas de gestão, o CEO não está decidindo sobre a realidade. Está decidindo sobre uma versão dela. Ken aponta que a soft skill mais crítica hoje não é comunicação ou liderança no sentido tradicional, mas a capacidade de construir confiança suficiente para que pessoas em qualquer nível da organização falem o que pensam sem medo. Não por acaso, estruturas hierárquicas mais flat estão se tornando cada vez mais comum em empresas de alta performance: três níveis de hierarquia já dificultam demais a chegada de insumos importantíssimos até quem decide. Isso tem impacto direto em receita, já que decisões baseadas em informação distorcida geram estratégias que não conectam com o cliente real. O executivo que consegue acessar a informação antes dela ser filtrada pelos níveis intermediários tem uma vantagem que nenhum dashboard substitui.

3. Estratégia Fora da Empresa: Por Que Ouvir É Mais Que Analisar

Pergunta: Qual a maior lição de estratégia que você carrega depois de mais de uma década liderando uma empresa que está se reinventando?

Insight de Ken Diamond: “No começo da carreira foi muito solitário, usando o que tinha de livros e afins para montar. Mas depois aprendi que a estratégia precisa conexão com clientes, parceiros, é mais sobre escutar do que esse exercício individual. A estratégia acontece fora da empresa na verdade.”

Esta é a lição que mais contraria o modelo mental do executivo brasileiro formado em planejamento estratégico clássico. A ideia de que estratégia é um exercício de gabinete, com slides, frameworks e sessões fechadas, ainda domina a maioria das salas de diretoria. Ken está dizendo algo mais profundo: os sinais que determinam se sua estratégia vai funcionar ou não estão do lado de fora, nas conversas com clientes, nas observações com parceiros, no que o mercado está reclamando antes de virar número. Empresas que isolam a estratégia dentro de quatro paredes estão trabalhando com dados defasados sobre um mercado que se move em tempo real. O custo disso não é apenas uma estratégia errada, é a perda da janela de oportunidade enquanto a concorrência está ouvindo o que você ignorou.

A Revolução Silenciosa Que Está Mudando o Jogo

Enquanto a maioria das empresas ainda discute se deve adotar IA, um grupo seleto já está reconstruindo suas operações como organizações nativas de IA. A Amazon, que assumiu o primeiro lugar da Fortune Global 500 em 2026, está investindo US$ 200 bilhões em IA neste ano, mas Jeff Bezos insiste que a verdadeira vantagem não está no que muda, e sim no que não muda. A Honeywell criou um framework meticuloso para guiar cada etapa de seu desenvolvimento e implantação de IA, evitando o oposto igualmente perigoso: depender demais da tecnologia e perder o julgamento humano. A Microsoft reposicionou toda sua estratégia corporativa em torno de agentes de IA, e o Yale CEO Summit de 2024 revelou que CEOs de Fortune 500 estão reinventando negócios inteiros em torno de IA, energia limpa e novas infraestruturas.

A diferença entre essas empresas e o resto do mercado é exatamente o que Ken Diamond está vivenciando na Escale. Existe uma diferença abismal entre empresas que usam IA e empresas que são nativas de IA. As primeiras adicionam ferramentas sobre processos antigos. As segundas desmontam os processos antigos para reconstruir a operação assumindo que a IA é o ponto de partida, não um complemento. Ken chama isso de “renascimento”. A Fortune chamou de “reinventar ou extinguir”.

Isso conecta diretamente com o que Ken disse sobre manter o olhar na estratégia: “Precisa ter uma mira a laser.” Metodologias estruturadas como OKRs ganham aqui um papel central. Sem um framework que force priorização rígida e mensurável, o executivo se afoga em incêndios e oportunidades simultâneas, perdendo a capacidade de distinguir o reversível do irreversível. O OKR não é sobre metas bonitas em apresentações trimestrais. É sobre criar o mecanismo que permite ao CEO olhar para a lista de prioridades e saber, com clareza, o que mais impacta o negócio.

O alerta é direto: a maioria dos C-Levels está cometendo dois erros simultâneos. Primeiro, trata todas as decisões com o mesmo processo, perdendo velocidade no que deveria ser rápido e profundidade no que deveria ser cuidadoso. Segundo, confunde adotar ferramentas de IA com ser uma empresa nativa de IA, mantendo estruturas, fluxos de informação e culturas que pertencem ao mundo anterior. O resultado é o pior dos dois mundos: lentidão nas decisões reversíveis e superficialidade nas irreversíveis.

A Pergunta Que Vai Tirar Seu Sono

Sua empresa está usando IA para fazer mais do mesmo ou para ser algo completamente diferente?

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O que faz você ser a primeira escolha na mente das pessoas | Café com ADM #514

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    Bruno Perin

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    Certificado Top 10 Mundial em OKR na Suécia, em frente ao Nobel. Faço parte do seleto grupo mundial que inclui as empresas mais valiosas do planeta, o que me mantém sempre no front dos assuntos estratégicos. Isso me faz atuar no nivel de OKR + IA Driven das empresas valiosas do mundo atualmente.

    Já orientei as maiores techs do Brasil e Europa sobre OKR, com conhecimento moldado por Tony Hsieh (ex-CEO Zappos) e Tim Draper (top investidor mundial), com experiências no Canadá, EUA, Chile e Portugal. Trabalho como braço direito estratégico de CEOs, transformando planejamento em execução real.

    Por estar na prioridade das empresas mais exigentes, me tornei um heavy user de IA para ajudar principais executivos a extraírem o máximo da inteligência artificial aplicada aos negócios. Combino OKR de alta performance com IA estratégica.

    Participo de boards C-level e divido meu tempo entre Brasil e Europa, sempre trazendo as melhores práticas mundiais para os negócios que acompanho.

    Certificado Top 10 Mundial em OKR na Suécia, em frente ao Nobel. Faço parte do seleto grupo mundial que inclui as empresas mais valiosas do planeta, o que me mantém sempre no front dos assuntos estratégicos. Isso me faz atuar no nivel de OKR + IA Driven das empresas valiosas do mundo atualmente.

    Já orientei as maiores techs do Brasil e Europa sobre OKR, com conhecimento moldado por Tony Hsieh (ex-CEO Zappos) e Tim Draper (top investidor mundial), com experiências no Canadá, EUA, Chile e Portugal. Trabalho como braço direito estratégico de CEOs, transformando planejamento em execução real.

    Por estar na prioridade das empresas mais exigentes, me tornei um heavy user de IA para ajudar principais executivos a extraírem o máximo da inteligência artificial aplicada aos negócios. Combino OKR de alta performance com IA estratégica.

    Participo de boards C-level e divido meu tempo entre Brasil e Europa, sempre trazendo as melhores práticas mundiais para os negócios que acompanho.

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