Palestras do TDC São Paulo discutem novas competências, formação de lideranças e critérios para uso da inteligência artificial nas empresas A preparação de líderes para trabalhar com inteligência artificial passa por competências como escuta, presença, capacidade de dar contexto e desenvolvimento de pessoas, segundo especialistas em liderança palestrantes do TDC São Paulo 2026, maior evento de desenvolvimento de software da América Latina, realizado entre os dias 23 e 25 de setembro, em São Paulo. As discussões abordaram os impactos da IA sobre a gestão de equipes, a formação de novos líderes e a relação entre autonomia, responsabilidade e uso de agentes. Liderança exige presença, escuta e desenvolvimento Para JP Coutinho, que apresentou a palestra 'O líder que a IA não substitui: presença, escuta e desenvolvimento em tempos digitais', a velocidade das ferramentas de IA aumenta a importância de habilidades relacionadas às relações humanas. Ele destacou três movimentos para a liderança em um ambiente digital: dar contexto antes de cobrar, escutar antes de concluir e desenvolver as pessoas antes de substituí-las. Segundo Coutinho, autonomia precisa estar acompanhada de contexto e responsabilidade. Para que uma pessoa possa tomar decisões, ela precisa entender a importância da atividade, o que existe por trás dela e qual é a estratégia envolvida. Nesse cenário, cabe ao líder criar esse contexto e fazer perguntas que ajudem a equipe a compreender melhor o trabalho. A presença foi outro ponto abordado pelo especialista. Para ele, estar presente não significa estar disponível o tempo inteiro, mas dedicar atenção quando uma conversa exige. Isso inclui perceber sinais que não aparecem diretamente nas palavras, como o silêncio, a divergência, a comunicação não verbal e situações que ainda não foram verbalizadas. Coutinho defendeu ainda que a IA pode apoiar atividades, mas não substitui o papel do líder em conversas que exigem escuta, empatia e responsabilidade. 'A máquina nos traz potência, mas o nosso olhar humano para a presença, para a conversa e para a escuta' é, segundo ele, uma combinação importante para o futuro do trabalho. Líderes terão de administrar pessoas e agentes A relação entre pessoas, agentes de IA e liderança foi tema do painel 'Empresas híbridas exigem uma nova forma de liderar pessoas e agentes de IA', com Tiago Tartari (WatchZ), Augusto Knijnik (ZAMP), Pedro Souza (Veste S.A) e Priscila Silveira Rocha (Itaú). Durante a discussão, os executivos destacaram que o uso de IA exige critérios sobre onde a tecnologia pode ser aplicada e quais responsabilidades continuam sob controle humano. Pedro Souza ressaltou a importância de avaliar criticamente as respostas produzidas pela IA, enquanto Priscila Silveira Rocha chamou atenção para a necessidade de processos bem estruturados, dados confiáveis e infraestrutura adequada antes da aplicação da tecnologia. Outro ponto levantado no painel foi a necessidade de preparar profissionais para trabalhar em contextos nos quais pessoas e agentes dividem atividades. Para os participantes, isso envolve compreender quais tarefas precisam ser executadas, quais decisões podem contar com apoio de IA e quais limites devem ser estabelecidos. A discussão sobre capacitação apareceu ainda relacionada à avaliação dos resultados produzidos pelas ferramentas. A recomendação apresentada foi que profissionais desenvolvessem repertório suficiente para questionar as respostas da IA, compreender o contexto e assumir responsabilidade pelas decisões tomadas. Promoção técnica exige preparo para liderar A transição de profissionais técnicos para posições de liderança foi o foco da palestra 'De Dev a Líder: O guia de sobrevivência para a transição de carreira', de Laura Rodrigues, arquiteta de sistemas. Segundo Laura, existe no mercado o costume de promover profissionais desenvolvedores pela excelência técnica, mesmo quando ainda não tiveram oportunidade de desenvolver as habilidades necessárias para liderar pessoas. Ela citou o conceito de 'Accidental Manager' para descrever o profissional que assume uma posição de gestão sem ter recebido treinamento, tempo ou espaço suficientes para desenvolver o novo papel. Para a especialista, a promoção precisa ser acompanhada de formação e orientação. Entre as recomendações apresentadas estão buscar conhecimento sobre liderança, criar espaço para desenvolver novas habilidades e manter uma relação próxima com a equipe. O desenvolvimento, segundo ela, acontece ao longo do tempo e exige oportunidade para experimentar, receber feedback e ajustar a atuação. Laura destacou ainda que a autonomia precisa considerar o contexto de cada profissional. Em vez de aplicar o mesmo nível de autonomia para toda a equipe, a liderança deve observar cada situação, criar espaços seguros para que a pessoa exerça novas responsabilidades e acompanhar os resultados. A atualização, segundo a especialista, não termina com a promoção. Mesmo ao desenvolver competências de liderança, profissionais que vêm de áreas técnicas precisam continuar estudando e acompanhando as mudanças da própria área, das tecnologias e do negócio.