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Como ter mais oportunidades na vida profissional?

Créditos: iStockPhoto
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O número de ocasiões favoráveis que encontramos não pode ser apenas atribuído ao acaso; é algo sobre o qual podemos ter alguma gerência

por Virgílio Marques dos Santos*

Caro leitor, dedicada leitora, aposto que você já se pegou reclamando da falta de oportunidades. Ah, se eu tivesse uma única chance de mostrar o meu potencial, minha vida seria outra. Quisera eu ter o mentor que ele teve, ou ainda, ter o networking dele. Se já se pegou nessa, calma. É normal às vezes reclamar da falta de oportunidades para mostrarmos algo pelo qual nos esforçamos para conquistar. Mas afinal, você já parou para pesquisar qual a definição de oportunidade?

Segundo o dicionário Michaelis, oportunidade é uma ocasião favorável; circunstância oportuna e propícia para a realização de alguma coisa. Ou ainda, circunstância útil, benéfica e vantajosa; conveniência, utilidade. E, por último, cargo, função ou emprego em disponibilidade. Ou seja, é algo positivo que acontece em determinado momento.

Dessa forma, podemos concluir que a oportunidade está atrelada ao acaso – ou, como dizem, à sorte. Concordam? E, se está atrelada à aleatoriedade da vida, não temos nenhuma ação para melhorar as chances que aparecem. Simplesmente alguns têm mais chances, outros menos. Seria como na música Azul da Cor do Mar, do saudoso Tim Maia: “E na vida a gente tem que entender/ Que um nasce pra sofrer Enquanto o outro ri”.

Será que a oportunidade é apenas sorte?

Na minha percepção, o número de ocasiões favoráveis que você encontra pela vida não pode ser apenas atribuído ao acaso. Não é algo sobre o qual não temos nenhuma gerência. Para mim, é possível ter mais sucesso se:

  • Identificarmos os locais com alto fluxo de oportunidades, para nos posicionarmos lá;
  • Enxergamos as situações sobre várias perspectivas, para fazer do limão uma limonada;
  •  Não temermos a ação, pois muitas vezes acabamos por não aproveitar quando algo passa por nós.

Se pensarmos na vezes em que não conseguimos ter sucesso, aposto, veremos relação com algum desses pontos. E, por mais estranho que pareça, temer tomar uma ação é a causa da maioria. Desde a infância, ouço do meu pai que é melhor se arrepender pelas coisas que fez, do que pelas que não fez. No início, achava isso apenas um devaneio. Em seguida, passei a concordar, embora não conseguisse colocar em prática. E hoje, quase chegando aos 40, por mais que tente, ainda não consigo colocar 100% em prática esse ensinamento.

Fácil falar, mas difícil fazer

Quando me pego remoendo as coisas do passado, lembro dos poucos segundos em que tomei coragem para fazer algo diferente. Minhas maiores conquistas vieram desses momentos. Os exemplos foram desde simples perguntas em ambientes em que todos estavam envergonhados, até encaminhar um e-mail para alguém solicitando alguma coisa. Para todos eles, eu consegui vencer a inação – e tais momentos mudaram minha vida.

Agora, claro, é nítida a memória da maioria das vezes em que arrumei razões imaginárias para não agir. E pior, das vezes em que comecei a agir, mas não fui até o final. Perdi muitas oportunidades me autoboicotando. É uma sensação ótima não agir e conseguir encontrar uma razão para tal. É a melhor forma de ficarmos em nossa zona de conforto e não carregarmos a culpa por isso. Simplesmente não tentamos, e tudo bem.

Foram tantas vezes que consigo lembrar das principais de cada ano. Se voltar para 2012, por exemplo, lembrarei da ocasião em que identifiquei algo que parecia uma oportunidade. Tomei coragem, comecei a conversar e meu grau de convicção foi aumentando, mas, ao final, por identificar uma barreira mínima, desisti. Com o tempo, tive a clara compreensão de que a limitação por mim identificada seria eliminada facilmente. Entretanto, faltou-me a gana necessária para investir e aproveitar a chance que tive. Lembro até hoje dos detalhes e de como deixei passar.

Para fechar

Conhece a história de que um cavalo selado passa poucas vezes na sua frente e que você precisa aproveitá-lo? Então, isso é verdade, mas um cavalo passa mais vezes no jockey do que no shopping center. Ou seja, há lugares onde passam muito mais oportunidades que outros. Quando trabalhava numa empresa com três funcionários na zona rural de uma cidade pequena, o número de negócios que apareciam era pequeno. Hoje, numa startup com um milhão de acessos ao mês, muito mais coisa acontece.

Para identificar essas oportunidades, é preciso treino. Várias vezes eu reclamei de interdições em meu caminho habitual, mas foi exatamente por elas que descobri caminhos melhores. Alguns mais longos, mas mais tranquilos. Por isso, avalie a mudança de várias perspectivas diferentes. Uma delas mostrará que o azar, na verdade, foi sorte.

E, por último, nunca se arrependa do que não fez. O fundador do Google falava que, se você puder voltar atrás em alguma decisão sem causar danos, então tome a decisão. Se não, avalie com cuidado. E da próxima vez que estiver em um dilema, entre agir e não agir, aja. A oportunidade pode não aparecer daquela forma novamente.

* Virgílio Marques dos Santos é CEO da FM2S.

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