Estudo revela que quase metade dos profissionais já utiliza inteligência artificial no trabalho sem o conhecimento dos gestores
A revolução da inteligência artificial já é uma realidade — e está avançando mais rápido do que muitas empresas conseguem acompanhar. Enquanto gestores e líderes ainda buscam definir regras claras para o uso dessas ferramentas, seus próprios funcionários já estão usando IA diariamente no trabalho, muitas vezes sem autorização formal, sem treinamento e sem supervisão.
Segundo uma nova pesquisa da plataforma de folha de pagamento digital Gusto, 80% dos profissionais norte-americanos entrevistados já usaram IA para automatizar tarefas e melhorar o desempenho. E o mais surpreendente: 45% utilizam essas ferramentas sem que seus chefes saibam.
Iniciativa individual supera diretrizes corporativas
A pesquisa com mil trabalhadores dos Estados Unidos revela uma nova realidade: a adoção de tecnologias no ambiente de trabalho está sendo impulsionada de forma “bottom-up”, ou seja, a partir da iniciativa individual dos colaboradores, e não de decisões estruturadas das empresas.
“Os trabalhadores não estão mais esperando permissão para integrar a IA em suas rotinas diárias”, afirma o relatório. “Essa transformação de baixo para cima representa um novo paradigma de adoção tecnológica, mais rápido do que as políticas corporativas conseguem acompanhar.”
Medo de perder o emprego motiva adesão
Uma das principais motivações por trás do uso espontâneo de IA é o medo de ser substituído por ela. De acordo com a Gusto, essa ansiedade é especialmente forte em estados como Califórnia, Nova York, Texas e Flórida — grandes centros de tecnologia e finanças.
Como reflexo desse receio, dois terços dos entrevistados disseram pagar do próprio bolso por ferramentas de IA, que podem custar entre US$ 10 e US$ 100 por mês. O objetivo? Tornar-se mais eficiente e indispensável.
Em contrapartida, 38% admitiram exagerar ou inventar suas habilidades com IA para impressionar gestores — esperando aprender com o tempo.
Falta de transparência pode gerar conflitos
A informalidade com que as ferramentas estão sendo usadas também se reflete na falta de transparência: apenas 33% dizem sempre indicar claramente quando um trabalho foi feito com auxílio de IA. Outros 24% fazem menções vagas, enquanto 43% adaptam a resposta conforme a situação ou simplesmente não dizem nada.
Isso pode minar a confiança interna e prejudicar avaliações de desempenho. “Quando 69% dos funcionários não são totalmente transparentes sobre o uso de IA, os gestores têm dificuldade para avaliar a qualidade do trabalho, dar feedbacks precisos ou tomar decisões sobre promoções e desenvolvimento de competências”, alerta o estudo.
Empresas precisam agir rápido
Diante desse cenário, o alerta é claro: empresas que não definirem regras claras sobre o uso de IA correm riscos operacionais, éticos e reputacionais. O uso não regulamentado pode provocar desde desconfiança interna até problemas de compliance e impacto na imagem da organização.
“Os trabalhadores já entenderam que dominar a IA será pré-requisito para crescer na carreira. Mas os treinamentos formais não estão acompanhando essa demanda”, diz o relatório. Isso gera um ambiente de pressão, improviso e desigualdade de acesso, que precisa ser abordado com políticas bem estruturadas, capacitação técnica e diálogo aberto.









Raquel Torres
Ricardo Queiroz
Bruno Perin
Tami Saito

Alessandro Almeida
Aline Rizzo
Marco Antonio Spinelli
Janguiê Diniz










