Isabel Salviati construiu trajetória no mercado financeiro conciliando empreendedorismo, liderança e sucessão

Foto: Marco Ankosqui
Fundadora da Midas transformou mais de duas décadas de experiência no setor financeiro em um negócio próprio e hoje prepara uma nova geração para assumir mais responsabilidades na empresa familiar
Empresária, casada e mãe de três filhos, Isabel Salviati, construiu sua trajetória profissional no mercado financeiro antes de decidir transformar a experiência acumulada em um negócio próprio. Pós-graduada em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV), trabalhou por mais de duas décadas em bancos e empresas de cartões de crédito até fundar, em 2002, a Midas.
A decisão de empreender surgiu de uma inquietação que já a acompanhava enquanto apresentava bons resultados nas empresas pelas quais passava.
“Eu sempre me indagava sobre por que não poderia fazer algo pela minha própria empresa, por mim e pela minha família. Essa inquietação já vinha há alguns anos e, então, resolvi empreender”, conta.
A Midas foi criada ao lado do marido, a partir da combinação das experiências profissionais dos dois. Isabel trouxe o conhecimento adquirido no mercado financeiro, enquanto ele já possuía experiência como empresário. Juntos, decidiram atuar no segmento de crédito. A companhia começou com antecipação de recebíveis e manteve o crédito para empresas como centro de sua operação ao longo dos anos.
Dentro da empresa, Isabel iniciou pela área em que já possuía maior domínio, a comercial. A rotina como empreendedora, no entanto, fez com que precisasse ampliar sua atuação.
“Eu comecei pela área comercial, onde já tinha bastante experiência, mas o empreendedorismo me obrigou a conhecer outras áreas. Hoje, transito bem pela área de pessoas, operações, crédito e, principalmente, pela parte de estratégia e gestão. O importante é que consigo entender como todas elas se conectam.”
A construção dessa trajetória aconteceu também em um setor historicamente associado à presença masculina. Para Isabel, a experiência mostrou que conquistar espaço no mercado financeiro não significa adotar comportamentos tradicionalmente relacionados aos homens.
“Eu aprendi que, para ser respeitada no meio empresarial e corporativo, você não precisa ter um comportamento masculino ou pensar que precisa ser menos emocional. O que importa é ser respeitada por aquilo que você agrega, por aquilo que constrói e pelo que conhece. É ter autoridade pelo seu conhecimento e pela história que você cria.”
Essa visão também influencia a forma como entende o empreendedorismo feminino. Para a empresária, existe uma responsabilidade que dificilmente aparece nos números das empresas: a carga mental acumulada pelas mulheres.
“O empreendedorismo feminino tem uma conta que ninguém coloca no balanço: a carga mental. Você precisa decidir sobre família, negócios, os pais, a vida, os filhos e os funcionários. E não vai conseguir fazer tudo isso bem feito, nem fazer tudo ao mesmo tempo.”
Em sua avaliação, reconhecer limites e estabelecer prioridades faz parte desse processo. “Não dá para ser ótima em tudo. Seja boa, apenas boa em tudo isso”, afirma. A empresária também defende uma relação mais natural das mulheres com a ambição profissional e financeira.
“Ter lucro e ganhar dinheiro não é pecado. Nós, mulheres, precisamos entender que ambição não é uma característica negativa. É querer crescer, construir, gerar empregos e ter poder de decisão sobre a própria vida. Isso é consequência de trabalho e competência.”
A maternidade também teve influência direta em sua carreira. Isabel afirma ter levado para a gestão aprendizados relacionados à formação de pessoas, delegação, paciência e limites.
“A maternidade me ensinou muito sobre liderança. Filhos nos ensinam a formar pessoas, delegar, ter paciência, colocar limites e entender que as pessoas têm jeitos diferentes de se desenvolver. Muito do que aprendi como mãe levei para dentro da empresa.”, ressalta a empresária.
Depois de mais de duas décadas à frente da Midas, ela agora projeta uma mudança gradual de papel. A empresa também vive uma nova etapa, com ampliação das operações estruturadas e a estruturação de seu próprio Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
“Meus planos para o futuro não passam simplesmente por parar de trabalhar, mas por mudar o meu papel. Quero continuar contribuindo com a visão estratégica, com a experiência e com os relacionamentos institucionais.”
Os filhos já participam dos negócios e fazem parte do processo de sucessão. Para Isabel, o objetivo é preparar a próxima geração para assumir responsabilidades e levar a companhia a novos patamares.
“Talvez a maior semelhança entre criar filhos e construir uma empresa seja entender que o nosso papel não é fazer tudo por eles, mas prepará-los para caminhar sem nós. Estamos nesse caminho e isso já está acontecendo. Sou muito feliz por meus filhos terem assumido, de forma muito comprometida, os negócios da família.”, completa.









